SABIA QUE...?

Abril 04 2005
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George Orwell disse: «...Eu sabia que molhar a cama era algo de mau que eu não podia dominar. Cometia assim o pecado sem querer e sem conseguir evitá-lo. Vivia com um sentimento de culpa, e de loucura como não me recordo ter sentido, antes ou depois, em toda a minha vida...»



Esta frase do autor inglês retrata bem o sentimento das cerca de 80.000 crianças do nosso país que sofrem de enurese.



Esta disfunção fisiológica continua a ser desconhecida pelos pais, que não sabem lidar com o problema, contribuindo na maior parte das vezes para o seu agravamento.



Existem quatro variantes da enurese:


A enurese primária: quando a criança nunca teve controlo sobre a bexiga.




A enurese secundária: quando a criança perde o controlo da urina, após um período de controlo.




A enurese diurna: é menos frequente e está relacionada com problemas físicos, psicológicos e com o próprio desenvolvimento da criança.




A enurese nocturna: é considerada mais “normal”, porque de noite a criança poderá ainda não ter o controlo total dos esfíncteres (músculos que permitem a entrada ou saída da urina) e molhar a cama.

A variante que mais crianças afecta é a “enurese nocturna primária”.



A enurese nocturna primária é a emissão involuntária de urina durante o sono, depois dos 5 anos de idade.



É frequente pensar-se que a enurese se resolve com o tempo, mas se não for tratada afecta a auto-estima, a socialização, pode provocar efeitos adversos no desenvolvimento harmonioso da criança e causar problemas psicológicos para o resto da sua vida.



Por estes motivos, deve proporcionar à sua criança um tratamento pronto e efectivo, prevenindo o seu sofrimento (da criança) durante a infância, adolescência ou até mesmo na idade adulta.



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o que fazer?



Segundo a psicóloga Adriana Campos, a primeira medida a tomar face a uma situação de enurese é fazer o despiste de alguma doença, que poderá estar na origem da incontinência urinária, mediante a realização de exames médicos.



Se não existirem causas de natureza fisiológica, deve ponderar-se a possibilidade de apoio psicológico. Este tipo de apoio exige o envolvimento da criança e dos pais e o envolvimento destes terá de ser tanto maior quanto mais pequena for a criança.



Frequentemente, a atitude dos pais e familiares contribui para a manutenção da enurese. Os comportamentos e comentários que frequentemente surgem na sequência destes episódios podem assim dificultar a ultrapassagem deste problema por parte da criança.



De acordo com o director do serviço de Nefrologia Pediátrica do Hospital de Crianças Maria Pia do Porto, Dr. Elói Pereira “a enurese é um problema que deve ser abertamente exposto ao médico assistente, e não como é habitual guardado no segredo da família, numa confusão de falsos conceitos, atitudes e procedimentos, que só comprometem a saúde e o bem-estar da criança, atingindo gravemente a sua auto-estima”.



O Dr. Elói Pereira refere ainda que “compreende-se que os pais tenham dificuldade em abordar este assunto, por duas razões principais, o reconhecimento da incapacidade do filho em ultrapassar uma fase de desenvolvimento autónomo da criança, que se reveste de uma certa afirmação de emancipação e por se tratar de um problema com uma grande incidência familiar, que afectou um ou ambos os progenitores”.


*




causas do problema



De acordo com o Dr. Eloi Pereira, “nos indivíduos normais, a produção de urina durante a noite é reduzida a um terço do volume que se produz durante o dia, através do ritmo circadiano da produção de hormona anti-diurética ou desmopressina.



Nos enuréticos a produção desta hormona está comprometida durante a noite, e por isso o volume de urina nocturno é semelhante à quantidade diurna e portanto incapaz de ser suportado na bexiga”.


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os enuréticos na sociedade



Para as crianças este problema pode revelar-se uma verdadeira humilhação, porque têm vergonha de urinar na cama e querem manter esse segredo.



Daí, que tudo o que esteja relacionado com passar uma noite fora de casa se torne num verdadeiro tormento para o seu filho. Dormir em casa de familiares, de amigos, participar num acampamento, ir a excursões da escola e frequentar campos de férias são situações verdadeiramente embaraçosas para eles.



Os problemas de auto-estima e de auto-confiança, advêm muitas vezes do sentimento que os faz sentirem-se diminuídos perante as outras crianças da sua idade e que os faz criar um quadro de infelicidade.



Siga os conselhos do Dr. Elói Pereira, e saiba o que nunca se deve dizer ou fazer a um enurético, como agir com eles, o que fazer para ajudá-los a ultrapassar o problema e as terapias mais utilizadas para tratar esta disfunção.


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o que nunca se deve dizer ou fazer a um enurético




Não menospreze o seu filho.




Não o culpabilize, para que não aumente a sua vergonha.




Não se zangue com ele.




Não o castigue.




Nunca fale com outras pessoas sobre o assunto, se o seu filho estiver presente.




Evite a utilização de fraldas porque pode provocar um retrocesso na criança.


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como deve agir com um enurético




Diga ao seu filho que o ama e que compreende os seus sentimentos.




Relembre-lhe que a culpa da enurese nocturna não é dele.




Encoraje o seu filho a ajudá-lo a limpar tudo rapidamente, a mudar de pijama e a refazer a cama.




Fale com o seu filho acerca do tema e explique-lhe o que se passa.




Se teve o mesmo problema, partilhe com ele a sua experiência, verá que ele ficará mais calmo e confiante.




Fale com um médico, pois ele com a sua experiência e sugestões irá certamente ajudá-lo.




Faça um cartaz com os dias da semana, onde ele vai colar uma cara sorridente quando não urina, ou uma bola amarela quando o faz.




Ajude-o a fazer exercícios com a bexiga (ex.: controlar o jacto urinário, aprendendo a interrompê-lo).

Saiba agora o que pode fazer para ajudar o seu filho a ultrapassar a enurese

Certifique-se de que o seu filho vai à casa de banho antes de ir para a cama.




Reduza-lhe a cafeína, as bebidas com hidratos de carbono e os chocolates.




Não o deixe beber muitos líquidos durante a noite. Quanto menos líquidos beber, menos urina produzirá, mas nunca o proíba de beber se ele tiver sede e incentive-o a ir à casa de banho pouco tempo depois.




Leve-o a falar com um médico, faça-o ver que ele não está sozinho e muitas outras crianças sofrem da mesma disfunção.



Atenção!



Embora a enurese nocturna tenda a passar naturalmente com a idade, o primeiro passo que os pais devem dar é ir com o seu filho ao médico de família ou ao pediatra, para despistar a doença e conhecer as causas da mesma.



*



estatísticas e consultas




Em Portugal a enurese afecta 80.000 crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos de idade (15% com 5 anos, 10% com 10 anos e 0,5 a 1% dos jovens adolescentes).




55 milhões é o número de crianças afectadas em todo o mundo.




A seguir às afecções alérgicas, a enurese nocturna primária é a disfunção física com maior incidência na infância.




70% das crianças com este problema nunca chega a receber qualquer apoio médico.




75% das crianças enuréticas têm um familiar que já sofreu dessa perturbação.




Na ausência de situações adversas, o controlo dos esfíncteres, quer diurno quer nocturno, ocorre, em cerca de 98% das crianças, até aos 5 anos de idade.




Em cada ano, 10 a 12% das crianças enuréticas deixam espontaneamente de o ser.


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Hospitais onde pode obter uma consulta



Na zona Norte



Barcelos, Braga, Coimbra, Covilhã, Guimarães, Matosinhos, Oliveira de Azeméis, Paredes, Porto, Póvoa do Varzim, Santa Maria da Feira e Vila Nova de Gaia.



Na zona Sul



Abrantes, Almada, Amadora, Leiria, Lisboa, Santarém, Tomar, Torres Novas e Torres Vedras.



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(Texto concedido pela revista Men'sHealth )



publicado por Lumife às 18:31

Espero que alguns pais possam vir aqui e ler a tua explicação que está completíssima!Beatas
(http://www.tribunalbeatas.blogspot.com)
(mailto:www.tribunal_beatas@hotmail.com)
Anónimo a 7 de Abril de 2005 às 20:24

Conselhos úteis que aqui deixas, além da explicação muito completa sobre o assunto.Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 6 de Abril de 2005 às 12:27

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