SABIA QUE...?

Março 28 2005
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O REGRESSO de Santana Lopes à Câmara de Lisboa é um manifesto disparate na perspectiva política e uma total insensatez do ponto de vista pessoal. Só é entendível à luz do egocentrismo e da incurável falta de noção das realidades do personagem.



No seu voluntarismo irresponsável e irrealista, Santana sempre se norteou pelo inconformismo em relação aos constrangimentos e limites que a realidade em que vive lhe impõe. Quer à sua figura, às suas ambições ou ao seu destino. E pela determinação em recusar deixar-se condicionar pelas circunstâncias ou pelos outros.



Nesta visão egocêntrica e messiânica da vida política, por vezes deu-se bem. Como na retumbante vitória no bastião socialista da Figueira da Foz ou na eleição para a Câmara de Lisboa, contra tudo e contra todos, quando poucos acreditavam que pudesse ganhar.



Outras vezes, deu-se mal e revelou a enorme imaturidade voluntarista que norteia as suas atitudes. Como na quimera em que se envolveu, há dez anos, para formar um novo partido político, o PSL, à margem do PSD. Ou no capricho público de abandonar a vida política, comunicado com pompa e circunstância em Belém, após um «sketch» televisivo desagradável. Ou na obsessão de se candidatar à Presidência, em que apostou há três anos, quando não tinha obviamente nem currículo nem perfil para o cargo.



Foi, aliás, o facto de se sentir bloqueado pelas circunstâncias políticas que o levou ao absurdo salto em frente para uma candidatura presidencial. Durão Barroso acabara de tomar posse como primeiro-ministro e era admissível que permanecesse no cargo até 2006 ou 2010. Ao que se seguiria um contra-ciclo de governação do PS de mais seis a oito anos. O que remeteria qualquer hipótese de ele próprio, Santana Lopes, chegar à chefia do PSD e do Governo lá para 2015. Com eleições presidenciais no início de 2006 e a elevada probabilidade de o candidato vencedor se manter em Belém até 2016, também essa saída política estava afastada do seu horizonte. Santana Lopes tinha pela frente uma década de bloqueios às suas ambições. Ao percebê-lo, contra qualquer razoabilidade ou sentido das responsabilidades, atirou-se de cabeça para uma aberrante candidatura presidencial.



Por ironia, foi o destino de Durão Barroso que acabou por condicionar decisivamente o seu próprio destino político. Catapultado, sem preparação nem competência, para o cargo de primeiro-ministro foi o que se viu. Pela primeira vez (já se começara a perceber com a sua gestão de Lisboa, mas não de forma tão impressiva), ficou exposta aos olhos de todo o país a sua inconstância, a sua falta de maturidade política, a sua medíocre corte de apaniguados, a sua impreparação para exercer funções de responsabilidade.



Humilhado eleitoralmente, afastado do partido e do Governo, Santana Lopes volta a sentir o seu futuro político bloqueado. Pois foi tal a marca negativa que deixou no eleitorado e no interior do próprio PSD que tão depressa não terá condições para insistir em regressar. Desfeito o Governo, perdido o partido, restava-lhe uma longa travessia do deserto ou o regresso forçado e insensato à Câmara de Lisboa.



Sem outra saída, pensando primeiro em si do que nos outros, Santana voltou pela porta baixa e meio-envergonhado à Câmara. Se a intenção é a de se recandidatar em Outubro, revela um autismo mais preocupante do que se poderia prever: não percebeu sequer que também em Lisboa, sobretudo em Lisboa, a sua votação foi calamitosa e a sua aura se desvaneceu.



Se a intenção é a de fazer uma pequena transição até ser colocado no estrangeiro ou encontrar uma saída profissional, o seu gesto denota uma lamentável falta de respeito e de gratidão pelo seu vice-presidente Carmona Rodrigues. Que o substituiu quando necessário, tapou sem um queixume alguns dos muitos buracos que ele deixou e alimentava legítimas expectativas de ser ele o candidato do PSD às autárquicas de Outubro. E que sai deste episódio como «o banana» que se dispõe e submete a todos os caprichos e arbitrariedades de Santana Lopes.



Santana não estraga apenas, involuntariamente e por excesso de egocentrismo, a sua própria vida e carreira política. Estraga, também, a vida aos outros.






16 Março 2005



(A Opinião de José António Lima - Expresso)

publicado por Lumife às 18:37

Acho que toda a polémica levantada à volta do Pedro Santana Lopes já está a roçar o ridículo... já começa a situar-se no plano do dizer mal por dizer sem qualquer fundamento.Carlos Tavares
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Anónimo a 29 de Março de 2005 às 10:29

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