SABIA QUE...?

Março 18 2005
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Cancro da próstata : Sintomas são muitas vezes descurados.


O cancro da próstata tem consequências graves que passam pela incontinência urinária e pela impotência, podendo mesmo conduzir à morte. O diagnóstico precoce é um factor crucial no tratamento deste tipo de cancro.



O cancro da próstata é um tumor maligno que surge na próstata, mas que pode alastrar a outros órgãos, em casos mais avançados. Os homens com idade superior a 50 anos são os mais afectados, embora possa aparecer em indivíduos mais jovens.



Segundo o Dr. Sérgio Barroso, oncolo­gista no Centro Hospitalar do Baixo Alentejo – Beja, «o cancro da próstata é uma doença muito silenciosa», em que os sintomas podem não ser totalmente perceptíveis para o homem. O indivíduo apresenta-se sem sintomas na fase inicial.


Mais tarde, em fases avançadas, apresenta sintomas, tais como dificuldade em urinar, uma frequência maior na necessidade de urinar, que pode mesmo surgir durante a noite, sangue na urina ou infecções urinárias. A dor local e nos ossos, quando está presente, é sinal de que a doença já está avançada.


Segundo o especialista, «o que acontece é que muitos homens já têm o hábito de se levantar durante a noite para ir à casa-de-banho, pelo que os sintomas são, na maioria das vezes, descurados».


Sérgio Barroso afirma ainda que estes sintomas podem confundir-se com pato­logias como a hipertrofia benigna da próstata, o que faz com que estes sintomas sejam muito difíceis de distinguir.



«No entanto, há que estar atento aos primeiros sintomas», avisa o médico.



O oncologista adianta também que não há factores de risco claramente associados a esta doença. Os especialistas sabem que indivíduos com familiares directos afectados pelo carcinoma da próstata têm uma probabilidade maior de contrair a doença, e que esta é também mais frequente na raça negra.



No entanto, «a relação entre factores como o ambiental ou o sexual, por exemplo, e o cancro da próstata não está claramente provada. Não existe uma relação causa-efeito como a existente entre o tabaco e o cancro do pulmão, por exemplo».



Sintomas


Dor ao urinar;

Aumento da frequência da necessidade de urinar;

Fluxo urinário fraco ou intermitente;

Dificuldade em atingir a erecção;

Sangue ou sémen na urina;

Dor ou rigidez a nível da coluna lombar, ancas ou parte superior das coxas.

A necessidade de urinar



O cancro da próstata desenvolve-se na glândula prostática, órgão que circunda a uretra, o canal por onde a urina é expelida. O tumor comprime a uretra, provocando dor na micção e o aumento da frequência da necessidade de urinar.



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Cancro da próstata: o diagnóstico



O melhor método para detectar o cancro da próstata de forma precoce é o rastreio, que é recomendado anualmente a partir dos 50 anos ou nos grupos de maior risco, desde os 40 anos.



Porém, o oncologista afirma que esta não é uma atitude consensual na comunidade médica. Os que não vêem benefícios no rastreio sistemático defendem que ele apenas permite saber mais cedo que o doente tem cancro, mas não impede a mortalidade. Quem está a favor do rastreio acredita que as novas técnicas de tratamento irão permitir aumentar a esperança de vida dos doentes.



A doença pode ser detectada através do toque rectal e por meio de uma análise ao sangue que detecta o antigénio específico da próstata (PSA). Esta é uma substância produzida pelas células normais e também pelas cancerígenas da próstata que circula na corrente sanguínea. Quando há um tumor, a quantidade da substância aumenta, devido a uma maior libertação de PSA na corrente sanguínea.



«Mas os níveis elevados de PSA também podem estar associados a outras doenças», como a já referida hipertrofia benigna da próstata. «No entanto, os níveis de PSA, quando em presença de hipertrofia, e apesar de elevados, são mais baixos do que em caso de cancro. Para confirmar o diagnóstico, o médico especialista realiza um conjunto de análises sanguíneas seriadas, incluindo o PSA, de modo a estabelecer um padrão».



Sérgio Barroso adianta que este é dos métodos mais importantes para o diagnóstico do cancro da próstata: «É uma das análises que mais ajudam no diagnóstico e que fornecem informações muito importantes.»



O toque rectal é, normalmente, o exame mais difícil para o paciente. Existe alguma relutância e algum preconceito por parte do homem em submeter-se a este exame.


«É um factor dissuasor e faz com que o doente vá adiando e acabe por não consultar atempadamente o médico, fazendo com que o cancro seja detectado numa fase evolutiva mais avançada», conforme diz Sérgio Barroso.



O diagnóstico de certeza é feito através de uma biopsia, que consiste na remoção ou colheita de tecido da próstata para posterior análise microscópica e confirmação da presença de células cancerígenas.



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Cancro da próstata: fases de evolução e tratamentos



Quando o cancro da próstata é detectado numa fase inicial, este consiste num tumor de pequenas dimensões, perfeitamente localizado, na próstata.



Sérgio Barroso afirma que, «nestes casos, um dos tratamentos de eleição é a operação ou remoção cirúrgica do tumor». Este tratamento «permite algumas vezes curar o doente», afirma o médico. Mas a intervenção cirúrgica pode ter efeitos secundários associados, como a impotência ou a incontinência urinária.



Numa fase inicial também pode recorrer-se à radioterapia, que consiste na aplicação de radiação para tratar o tumor. Segundo Sérgio Barroso, há dois tipos de radioterapia: a externa e a realizada através de implantes, a braquiterapia ou radioterapia intersticial.

Esta última implica a introdução de pequenos grãos ou sementes de material radioactivo no interior da próstata, junto ao tumor, que vão emitir radiações que o vão destruir. Na radioterapia externa, o doente é colocado num aparelho semelhante a uma TAC e é submetido a radiações locais.


«A escolha do tratamento depende do quadro clínico do paciente, de outras doenças que tenha e da sua vontade após conhecer as vantagens e desvantagens de cada opção», diz Sérgio Barroso. Quando o tumor é detectado numa fase mais avançada, dispomos de uma outra alternativa, a terapêutica hormonal.



O tu­mor da próstata é hormonossensível, isto é, alimenta-se das hormonas masculinas ou androgénios, como a testosterona. O tratamento hormonal consiste no bloqueio ou na supressão da produção dos androgénios através de medicamentos.


«Mas este tratamento controla a doença por um período de aproximadamente dois anos, dependendo da agressividade do tumor», considera o especialista.


A partir desta altura o organismo e as células cancerígenas tornam-se resis­tentes à terapêutica hormonal:


«Diz-se que o doente entra em escape hormonal. A partir daqui torna-se necessário um tratamento mais agressivo, já que o tumor fica de novo descontrolado e livre para evoluir e alastrar a outros órgãos.»



O cancro em estado metastático espa­lha-se para outros órgãos, afectando primeiro o osso e os gânglios linfáticos, posteriormente o pulmão e o fígado. Nestes casos, o tratamento mais indicado é a quimioterapia.



Resumo das fases de evolução do cancro e tratamentos


Fase precoce ou inicial:


Cirurgia

Radioterapia externa

Radioterapia por implantes ou braqui­terapia ou radioterapia intersticial.


Fase mais avançada:


Terapêutica hormonal


Fase disseminada (metastizada):


Quimioterapia.




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Cancro da próstata: avanço no tratamento



A Comissão Europeia (CE) aprovou recentemente a utilização do docetaxel, um fármaco específico utilizado na quimio­terapia, ou seja, usado no tratamento do cancro em fases mais avançadas.



A aprovação por parte da CE baseou-se nos resultados de um estudo, o TAX 327, realizado em 1000 doentes. Foram constituídos dois grupos, um em que foi utilizada a mitoxantrona, fármaco até agora standard no tratamento por quimio­terapia deste tumor, e o segundo em que se recorreu ao docetaxel.



A conclusão mais relevante do estudo foi o aumento do tempo de vida dos doentes.



«Até aqui, as terapêuticas utilizadas não tinham tradução ao nível da sobrevivência, apenas ao nível da diminuição da dor. Pela primeira vez, conseguiu-se, com este tratamento, aumentar o tempo de vida dos doentes», afirma Sérgio Barroso.



Os doentes tratados com docetaxel sobreviveram em média 18,9 meses, o que corresponde a 24% de redução do risco de morte devido ao tumor. Verificou-se também um aumento de 59% na resposta à dor e uma melhoria dos níveis de PSA de 43%.



Contudo, neste estudo, o tratamento com docetaxel foi mais tóxico do que com a mitoxantrona. «Os efeitos secundários são mais intensos, sendo que entre os mais comuns estão náuseas, fadiga e diarreia», afirma Sérgio Barroso, acrescentando:


«Mas estes efeitos secundários, no seu conjunto, não afectam significativamente a qualidade de vida do paciente, de tal modo que, no estudo, os doentes que fizeram este tratamento tiveram melhor qualidade de vida global.»



O tratamento é administrado de forma simples, sem necessidade de hospitalização, deslocando-se o doente ao hospital apenas de três em três semanas.



«A utilização do docetaxel foi um passo muito importante. Este passou a ser o tratamento standard para o cancro da próstata hormonorresistente, substituindo a mitoxantrona. Podemos agora começar a investigar e a combinar com este vários fármacos e abordagens terapêuticas, para que o tratamento se torne ainda mais eficiente», afirma Sérgio Barroso.



Esta terapêutica já está disponível em Portugal. O docetaxel havia sido aprovado no tratamento de outros tipos de cancro, mas só em Novembro passado a entidade reguladora europeia (EMEA) concedeu a aprovação deste fármaco para a utilização no cancro da próstata resistente à terapêutica hormonal.



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Cancro da próstata: estatísticas relacionadas com o cancro da próstata




O carcinoma da próstata ocupa o terceiro lugar, a nível mundial, no que respeita a incidência de doenças oncológicas e o sexto lugar em termos de taxa de mortalidade por cancro no sexo masculino.




Um em cada seis homens tem probabilidade de contrair cancro da próstata, segundo as estatísticas europeias.




Em Portugal, surgem quatro mil casos por ano, o que representa cerca de 19% do total dos tumores.




Em termos de mortalidade em Portugal, o cancro da próstata é o segundo tumor responsável pela morte por doença oncológica no homem. Morrem cerca de 1800 homens por ano com cancro da próstata.




Nos EUA, mais de 230 mil homens terão sido diagnosticados com cancro da próstata em 2004 e cerca de 30 mil virão a falecer da doença.




Na Europa, as previsões apontam para 138 mil novos casos diagnosticados e 45 mil mortes.



(A responsabilidade editorial e científica desta informação é da Medicina e Saúde)


publicado por Lumife às 02:04

Sumimnho de tomate, dizem que faz muito bem à prevenção... E curiosamente não se vende nas farmácias, vende-se nos supermercados! :-)Carlos Tavares
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Anónimo a 18 de Março de 2005 às 11:47

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