SABIA QUE...?

Março 11 2005
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José Sócrates formou o Governo no mesmo registo que adoptou para a campanha eleitoral: sem grandes riscos nem mudanças de fundo (a estrutura do Executivo mantém-se, basicamente, na linha do modelo tradicional), impondo discrição e pouco espectáculo mediático, com nomes que não entusiasmam mas também não comprometem, formando uma equipa aparentemente coesa e generalizadamente competente. Ou seja: sem rasgo nem impulso de ruptura mas também sem equívocos ou aventureirismos políticos. É um Governo de contenção, que falará pouco para errar o mínimo, tal como Sócrates antes das eleições. E isso pode ser uma garantia da sua durabilidade.



O único rasgo na composição do Governo é a inclusão, em destacado lugar, de Freitas do Amaral. E se o ex-líder do CDS é, indiscutivelmente, uma mais-valia, pela sua experiência, prestígio e conhecimentos, ele pode converter-se, a prazo, num dos pontos de fricção dentro do Executivo. Não pelo excesso das suas diatribes anti-americanas, que moderará necessariamente de acordo com a orientação política do Governo e da Comissão Europeia, mas pela preponderância que pode ter a propensão de assumir nas políticas do Governo. E pelos conflitos que, tendencialmente, esse excesso de protagonismo venha a provocar com outros ministros e com o próprio primeiro-ministro.



Fora do Governo fica, de novo, António Vitorino. Que sentiu a necessidade de explicar, ao PS e ao país, a reiterada recusa em assumir, a nível interno, mais exigentes responsabilidades político-partidárias. «Não gostei de ser ministro», justifica Vitorino sem aduzir razões e factos mais substantivos. E o cargo de comissário europeu, que exerceu com brilho e com gosto, é muito diferente no estilo e no ritmo de trabalho que exige ao seu titular? A burocracia de Bruxelas é menos desgastante? As reuniões e dossiês são menos cansativos? As instalações e o horizonte visual são mais aprazíveis? Os contactos com as chefias europeias e internacionais são mais gratificantes do que na acanhada Lisboa e nos seus provincianos arredores? Quem esteve a decidir o futuro da União não se adapta à pequenez dos problemas de uma região?



António Vitorino não esclareceu devidamente. Mas sempre foi adiantando que prefere servir o seu país no Parlamento. O que só pode querer dizer que Sócrates e o PS já têm o problema do líder parlamentar, em «full-time», resolvido. Ou não?




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10 Março 2005


(A Opinião de José António Lima - Expresso)

publicado por Lumife às 13:47

Habituem-se!Carlos Tavares
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Anónimo a 14 de Março de 2005 às 11:07

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