SABIA QUE...?

Março 04 2005
Num partido cuja liderança parece ter caído em hasta pública, é curioso verificar que Paulo Portas teria conseguido, com os cerca de 40 mil votos obtidos pela Nova Democracia de Manuel Monteiro, manter-se como terceiro maior partido e não teria perdido qualquer deputado no Parlamento. No outro extremo, é igualmente interessante constatar que o Bloco de Esquerda ficou à beira de eleger mais 6 deputados, o que o colocaria com um grupo parlamentar idêntico ao do PCP.




Num CDS cujo vazio de liderança ninguém parece querer ocupar (António Pires de Lima rejeitou de imediato, Telmo Correia diz que só à força, Nobre Guedes pôs-se de lado, Maria José Nogueira Pinto diz que ainda não é desta, Lobo Xavier não troca o certo pelo incerto, etc.), percebe-se, com uma análise mais atenta dos resultados eleitorais, que Paulo Portas teria bem maiores dificuldades em abandonar a presidência do partido se Manuel Monteiro não tivesse criado e levado a votos o partido da Nova Democracia (PND).




Com os 40 mil votos e os 0,7% do PND, Portas veria o CDS sair das legislativas de 20 de Fevereiro com 8,0%, em terceiro lugar no «ranking» partidário e com os mesmos 14 deputados que alcançara em 2002. Graças ao acréscimo dos 3.497 votos do PND em Aveiro teria eleito aí o seu segundo deputado. E somando-lhe, no Porto, os 7.661 votos de Manuel Monteiro, o CDS chegaria ao terceiro deputado no círculo portuense. Ficaria, ainda, muito próximo de eleger um segundo deputado em Braga e um em Santarém (bastar-lhe-iam, neste caso, mais 200 a 300 votos). Em contrapartida, com menos 270 votos em Setúbal o CDS teria perdido (para o PCP, calcule-se…), o único deputado que elegeu neste círculo.




Ou seja, numa situação global de queda eleitoral, os votos do PND teriam, ainda assim, permitido ao CDS controlar os danos e alcançar alguns dos seus objectivos, mantendo a posição relativa de 2002. O que tornaria bem mais complicado e difícil de justificar, a Paulo Portas, o seu determinado abandono da liderança. Ironias do destino.




Já a análise dos resultados do Bloco de Esquerda - que elegeu 4 deputados em Lisboa, 2 no Porto e 2 em Setúbal - permite observar que o BE ficou à beira de ampliar para 14 o seu número de parlamentares. Em cinco distritos, o BE não elegeu por pouco o seu primeiro deputado. E, no Porto, esteve quase a celebrar a eleição do terceiro bloquista.




Vejamos os casos. Em Aveiro, com mais 207 votos o BE teria ocupado o lugar do último dos 8 deputados do PS. Em Braga, um acréscimo de 418 votantes roubaria um eleito ao PSD. Em Faro, subindo 1.114 votos substituiria o 6º deputado do PS. Em Santarém, crescendo menos de 3 mil votos (2.939) faria o PS perder o último dos seus 6 deputados. E em Coimbra seria igualmente o 6º eleito do PS que daria lugar a um deputado do BE, se este conquistasse mais 3 065 votos.




Finalmente, no caso do Porto, o BE chegaria ao 3º deputado eleito no círculo (passando o PSD de 12 para 11) se tivesse somado mais 2.622 votos.




O Bloco é, pois, o partido que ficou mais próximo de eleger novos deputados e de ampliar o seu já reforçado grupo parlamentar. É também, pelo método de Hondt que afecta ligeiramente os partidos mais pequenos e favorece os maiores, o mais prejudicado na relação entre o número de votos recebidos (6,4% do total) e o número de deputados que terá no Parlamento (3,5% dos 230).




Para lá da primeira maioria absoluta do PS e do colapso eleitoral do PSD de Santana Lopes, ficam assinaladas estas curiosidades da votação de 20 de Fevereiro relativas aos pequenos partidos: CDS, PND e BE. Dos caminhos cruzados e desencontrados de Portas e Monteiro ao fenómeno (esporádico?) de crescimento em flecha do BE.




*


(A Opinião de José António Lima - Expresso)


3 Março 2005

publicado por Lumife às 17:47

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