SABIA QUE...?

Fevereiro 21 2005
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A histórica vitória do Partido Socialista nas eleições legislativas significa não uma arrebatadora paixão do eleitorado por José Sócrates, mas uma enorme rejeição da governação de Santana Lopes. O povo português percebeu - e percebeu bem - que seria uma tragédia para Portugal a continuação desta experiência governativa e votou em conformidade. Também por isso Jorge Sampaio é um dos grandes vencedores da noite eleitoral. Os resultados mostram que teve toda a razão em convocar eleições e dar ao eleitorado a possibilidade de se pronunciar.



José Sócrates ganhou, conseguindo uma votação nunca antes alcançada pelo Partido Socialista. Fez o que nem Mário Soares nem António Guterres conseguiram. Quebrou o mito de que um partido de esquerda nunca obteria, sozinho, uma maioria absoluta. O líder do PS é, indiscutivelmente, o grande vencedor da noite. Tem todas as condições que pediu para governar o país numa situação muito difícil. Pode certamente convocar os melhores dos melhores para integrar o futuro Governo de Portugal. Os portugueses não lhe perdoarão que não o faça - e que não conduza o país para melhores rumos do que aqueles que tem vindo a trilhar.



A CDU e o Bloco de Esquerda são os outros vitoriosos. Provou-se que Jerónimo de Sousa foi a grande surpresa da corrida eleitoral - e que é um líder que diz muito mais à base do PCP do que Carlos Carvalhas. Por seu turno, o Bloco não conseguiu o seu objectivo de evitar uma maioria absoluta do PS - mas mais que duplicou o seu grupo parlamentar (de 3 para 8) e em vários círculos ora se colocou à frente do PP, ora ficou acima da CDU. Francisco Louçã é outro dos vitoriosos da noite eleitoral.



Em contrapartida, Pedro Santana Lopes perde duplamente: perde as eleições de uma forma humilhante, vendo o grupo parlamentar do PSD reduzido em 31 deputados; e perde ao não se demitir, anunciando que convocará um congresso extraordinário dos sociais-democratas, mas deixando implícito que se recandidatará à liderança laranja.



O PSD é um partido fundamental para a democracia portuguesa. O seu eleitorado não se revê nesta liderança errática, com falta de sentido de Estado e contrária a parte da sua base de eleitores, como os empresários ou o sector financeiro. A continuação de Santana Lopes à frente do PSD é o caminho para a desagregação do partido. Por isso, o próximo e mais importante combate político que está no horizonte é a substituição do actual líder do PSD por outro de matriz claramente social-democrata, como tem sido desde a sua fundação.



Nesse sentido, a declaração de Luís Marques Mendes foi de uma grande coragem. Sem o ter dito explicitamente, deixou-o muito claro: será candidato a líder do PSD. E conta com todos os que se revêem na matriz fundadora do partido. Não será um combate fácil. Mas é desesperadamente necessário.



Alberto João Jardim é outro dos derrotados da noite. Na Madeira, o PS elegeu 3 deputados e o PSD outros três. É uma derrota para Jardim, que governa a ilha como uma coutada privada. Mas também as suas declarações, de que a derrota se deve às corporações e aos interesses de grupos de Lisboa, são completamente ridículas e desajustadas face à dimensão da derrota de Pedro Santana Lopes, que ele apoiou de forma clara e inequívoca.



Finalmente, Paulo Portas perdeu - mas ganhou. Perdeu, porque o CDS ficou com menos dois deputados do que tinha e longe da meta dos dois dígitos que Portas pretendia atingir. Mas ganhou ao declarar que se demitia da presidência do partido face a não ter alcançado as metas a que se propusera. A dignidade com que assumiu a derrota contrapôs-se, de forma chocante, com a leviandade com que Santana encarou os resultados e as conclusões que deles retirou.





21 Fevereiro 2005


A Opinião de Nicolau Santos - Expresso

publicado por Lumife às 16:07

Os números podem não estar certos, mas eu subscrevo na íntegra o texto.
Abraço.NILSON
(http://nimbypolis.blogspot.com)
(mailto:nimby33@hotmail.com)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 15:16

Estava convencido que já tinha colocado por aqui um post... a assinalar a falta de precisão nesses números do Expresso: são 120 para o PS e 72 para o PSD!Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 11:23

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