SABIA QUE...?

Dezembro 09 2004
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A CRISE política em que o país mergulhou com a posse e subsequente queda do Governo liderado por Santana Lopes tem deixado quase na penumbra do esquecimento uma das suas causas próximas e um dos seus responsáveis directos: José Manuel (Durão) Barroso.

Uma das perguntas mais pertinentes que logo em Julho muitos colocaram ficou, desde então e até agora, sem resposta. Porque impôs Durão Barroso, ao partido e ao país, a solução Santana Lopes? Ou, desdobrando a pergunta. Porque não optou por uma solução de continuidade, como a de entregar o Governo a uma ministra respeitada como Manuela Ferreira Leite, e escolheu a imprevisibilidade do seu vice-presidente Santana Lopes? Porque não deixou que o PSD escolhesse em Congresso uma nova liderança e o caminho a seguir no pós-barrosismo (como fizera, avisadamente, Cavaco Silva ao abandonar a liderança nove anos antes)? O Presidente da República, como seria óbvio, sentir-se-ia ainda mais obrigado a dar posse a um líder do PSD legitimado pela escolha de um Congresso do que à solução forçada e apressada que Durão Barroso não teve pejo de lhe apresentar.



Mas, sobretudo, fica a pergunta mais lógica: porque se co-responsabilizou Barroso com uma solução que muitos anteciparam instável e sem longevidade? Se a solução resultasse ninguém lhe agradeceria, todos dariam o mérito ao seu sucessor. Se a solução falhasse, lembrar-se-iam inevitavelmente de si e muitas das culpas e recriminações recairiam sobre a sua cabeça.



E de duas uma. Ou a solução imposta por Durão Barroso resultou de uma má avaliação do que estava para vir (e que já muitos adivinhavam). Ou só pode ter resultado de calculismo político a resvalar para o cinismo.



Se foi má avaliação das qualidades e defeitos do político que empurrou para a chefia do Governo, então Barroso errou com gravidade. Porque conhece Santana Lopes há anos mais do que suficientes para saber com o que contava e com que o país podia contar. Porque conhece, melhor do que a maioria e por experiência pessoal, a inconstância, a impreparação e a conduta errática do ex-presidente da Câmara de Lisboa. Se mesmo assim, com um conhecimento tão próximo e privilegiado, Durão Barroso fez uma má avaliação das mãos em que deixava entregue o Governo e o país, então isso demonstra uma incapacidade de observação e de julgamento que não o recomenda para o alto cargo que agora ocupa, na presidência da Comissão Europeia.



Se não foi má avaliação, isso só poderá significar que José Manuel Barroso agiu com noção das consequências e com um frio calculismo político. Demonstrando distanciamento e indiferença pela evolução do país, pelas consequências nefastas que era possível prever com uma governação de Santana Lopes, pelos compromissos que ele próprio assumira perante os portugueses, aos quais impusera dois anos de sacrifícios - compromissos entre os quais se contavam o saneamento das contas do Estado, a reforma da Administração Pública entre outras, o crescimento económico acima da média europeia - e que não chegou a cumprir. Nenhum deles.



Depois de mim virá quem bom de mim fará - terá sido esse o pensamento mais profundo de José Manuel Durão Barroso? Fica a dúvida. Legítima.



O agora presidente da Comissão Europeia veio, anteontem, dizer em Lisboa que segue «com preocupação o que se passa em Portugal». E acrescentou: «Fiquei surpreendido, como é normal». Ficou?!



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(Expresso Online.-A Opinião de José António Lima)




publicado por Lumife às 18:33

Dezembro 09 2004
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Regressei. Confesso que já sentia falta destes momentos.Agradeço todas as mensagens

recebidas e irei contactar os amigos visitantes.



Um abraço

publicado por Lumife às 18:20

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