SABIA QUE...?

Março 31 2005
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De acordo com um estudo feito na agência espacial norte-americana (NASA), 2004 foi o quarto ano mais quente desde o século XIX, acreditando os investigadores que o aquecimento global deve fazer com que 2005 tenha uma temperatura média ainda maior.

O ano passado teve uma temperatura média de 0,48 graus Celsius acima da média verificada entre 1951 e 1980, revelam os resultados da investigação conduzida por Makiko Sato e James Hansen, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, citados esta quarta-feira pela Agência FAPESP.



Para a teoria do aquecimento global contribui outro facto: as quatro maiores médias desde o final do século XIX ocorreram em anos recentes. O ano mais quente foi 1998, seguindo-se 2002, 2003 e 2004.



Os cientistas, que procederam a análises de temperaturas médias, obtidas em terra e na superfície dos oceanos, concluíram que 2005 deverá ser mais quente do que 2004 e, provavelmente, ainda mais quente do que 1998.



De acordo com os investigadores da NASA, a poluição provocada pelo homem tem ocupado um papel cada vez mais importante nas alterações climáticas. «Tem havido uma forte tendência de aquecimento nos últimos 30 anos, uma tendência cujos motivos têm sido mostrados como derivados primordialmente do aumento na atmosfera de gases que provocam o efeito estufa», referiu James Hansen em comunicado.



(In Jornal Digital)

publicado por Lumife às 01:27

Março 28 2005
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O REGRESSO de Santana Lopes à Câmara de Lisboa é um manifesto disparate na perspectiva política e uma total insensatez do ponto de vista pessoal. Só é entendível à luz do egocentrismo e da incurável falta de noção das realidades do personagem.



No seu voluntarismo irresponsável e irrealista, Santana sempre se norteou pelo inconformismo em relação aos constrangimentos e limites que a realidade em que vive lhe impõe. Quer à sua figura, às suas ambições ou ao seu destino. E pela determinação em recusar deixar-se condicionar pelas circunstâncias ou pelos outros.



Nesta visão egocêntrica e messiânica da vida política, por vezes deu-se bem. Como na retumbante vitória no bastião socialista da Figueira da Foz ou na eleição para a Câmara de Lisboa, contra tudo e contra todos, quando poucos acreditavam que pudesse ganhar.



Outras vezes, deu-se mal e revelou a enorme imaturidade voluntarista que norteia as suas atitudes. Como na quimera em que se envolveu, há dez anos, para formar um novo partido político, o PSL, à margem do PSD. Ou no capricho público de abandonar a vida política, comunicado com pompa e circunstância em Belém, após um «sketch» televisivo desagradável. Ou na obsessão de se candidatar à Presidência, em que apostou há três anos, quando não tinha obviamente nem currículo nem perfil para o cargo.



Foi, aliás, o facto de se sentir bloqueado pelas circunstâncias políticas que o levou ao absurdo salto em frente para uma candidatura presidencial. Durão Barroso acabara de tomar posse como primeiro-ministro e era admissível que permanecesse no cargo até 2006 ou 2010. Ao que se seguiria um contra-ciclo de governação do PS de mais seis a oito anos. O que remeteria qualquer hipótese de ele próprio, Santana Lopes, chegar à chefia do PSD e do Governo lá para 2015. Com eleições presidenciais no início de 2006 e a elevada probabilidade de o candidato vencedor se manter em Belém até 2016, também essa saída política estava afastada do seu horizonte. Santana Lopes tinha pela frente uma década de bloqueios às suas ambições. Ao percebê-lo, contra qualquer razoabilidade ou sentido das responsabilidades, atirou-se de cabeça para uma aberrante candidatura presidencial.



Por ironia, foi o destino de Durão Barroso que acabou por condicionar decisivamente o seu próprio destino político. Catapultado, sem preparação nem competência, para o cargo de primeiro-ministro foi o que se viu. Pela primeira vez (já se começara a perceber com a sua gestão de Lisboa, mas não de forma tão impressiva), ficou exposta aos olhos de todo o país a sua inconstância, a sua falta de maturidade política, a sua medíocre corte de apaniguados, a sua impreparação para exercer funções de responsabilidade.



Humilhado eleitoralmente, afastado do partido e do Governo, Santana Lopes volta a sentir o seu futuro político bloqueado. Pois foi tal a marca negativa que deixou no eleitorado e no interior do próprio PSD que tão depressa não terá condições para insistir em regressar. Desfeito o Governo, perdido o partido, restava-lhe uma longa travessia do deserto ou o regresso forçado e insensato à Câmara de Lisboa.



Sem outra saída, pensando primeiro em si do que nos outros, Santana voltou pela porta baixa e meio-envergonhado à Câmara. Se a intenção é a de se recandidatar em Outubro, revela um autismo mais preocupante do que se poderia prever: não percebeu sequer que também em Lisboa, sobretudo em Lisboa, a sua votação foi calamitosa e a sua aura se desvaneceu.



Se a intenção é a de fazer uma pequena transição até ser colocado no estrangeiro ou encontrar uma saída profissional, o seu gesto denota uma lamentável falta de respeito e de gratidão pelo seu vice-presidente Carmona Rodrigues. Que o substituiu quando necessário, tapou sem um queixume alguns dos muitos buracos que ele deixou e alimentava legítimas expectativas de ser ele o candidato do PSD às autárquicas de Outubro. E que sai deste episódio como «o banana» que se dispõe e submete a todos os caprichos e arbitrariedades de Santana Lopes.



Santana não estraga apenas, involuntariamente e por excesso de egocentrismo, a sua própria vida e carreira política. Estraga, também, a vida aos outros.






16 Março 2005



(A Opinião de José António Lima - Expresso)

publicado por Lumife às 18:37

Março 22 2005
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Marte é o último dos planetas telúricos, vem a seguir à Terra e ocupa o quarto lugar na ordem das distâncias ao Sol. Tem um brilho apreciável e a sua cor é avermelhada. Havia a ideia de que Marte poderia conter algumas formas de vida, ou até uma civilização avançada, mas a exploração espacial veio desfazer todas as esperanças. Toda a investigação efectuada proporcionou grandes progressos no conhecimento deste astro. Foram inúmeras as missões realizadas para desvendar os mistérios do planeta.

Começaram com as sondas americanas Mariner-4 em 1964, Mariner-6 e Mariner-7 em 1969, passando pelas soviéticas Mars-2 e Mars-3 em 1973. Infelizmente, nenhuma destas conseguiu alcançar os objectivos. Com a Mariner-9 em 1971 e os engenhos Viking a partir de 1976 é que a maior parte da informação começou a chegar. Inúmeras fotografias foram tiradas, analisou-se a densidade da atmosfera, a temperatura e também os solos, passando pela análise sismológica. A partir de meados dos anos 90, as sondas enviadas com sucesso a Marte - nomeadamente Mars Global Surveyor (lançada em 1996 pelos EUA), Mars Odyssey (lançada em 2001 pelos EUA) e Mars Express (lançada em 2003 pela ESA - Agência Espacial Europeia) - permitem realizar estudos cartográficos do planeta e analisar com mais precisão as condições atmosféricas e do solo.


Marte possui uma órbita excêntrica (e = 0,093). A sua distância média ao Sol é de 227,9 milhões de km. Uma translação é feita em 686,98 dias, ou seja, quase o dobro do ano terrestre. Uma vez conhecidos os movimentos orbitais deste planeta e da Terra, pôde constatar-se que estes se encontram alinhados, em relação ao Sol, em média de 780 em 780 dias. Este é o período médio que separa as duas oposições consecutivas de Marte, o chamado período da revolução sinódica.


A seguir a Vénus, Marte é o planeta mais brilhante. Comparado com a Terra, tem uma dimensão muito pequena. O seu diâmetro equatorial é de 6794 km, que é pouco mais de metade do nosso globo. Tem, também, a forma de elipsóide de revolução, ligeiramente achatado nos pólos. O seu volume é 6,58 vezes menor do que o da Terra. Tem uma massa 9,355 vezes menor do que a da Terra, isto é, 6,418´1023 kg. A densidade média do planeta é relativamente baixa, 3,93. Visto ao telescópio apresenta, sobre um fundo amarelo-ocre, algumas manchas escuras permanentes, de cor cinzento-azulada, com formas bem definidas. A observação destas manchas permitiu determinar o período de rotação, que é de 24h 37min 22,7s (dia sideral). O dia solar será um pouco mais longo, 24h 39min 35s. Assim, o ano marciano é composto por 668,5 dias marcianos. Uma outra semelhança com a Terra é a inclinação do plano equatorial em relação ao plano da órbita, que é de 25º 6´, o que lhe permite ter bem definidas as quatro estações do ano. Gira em torno do Sol com uma velocidade média de 24 km.s-1.


A observação por telescópio parecia indicar a existência de uma vasta rede de canais. Supunha-se que essa rede de canais não era de origem natural e teria sido construída por seres inteligentes, a fim de alimentar as planícies marcianas desérticas, com a água proveniente da fusão das calotes polares. Estas conclusões impressionaram as imaginações e suscitaram o aparecimento dos marcianos na literatura de ficção. As diversas sondas enviadas acabaram por desmoronar definitivamente a lenda. Além das crateras e das bacias de impacto análogas às que se encontram na Lua, vemos também planícies vulcânicas, numerosas falhas, vales sinuosos, campos de dunas, etc. Notam-se igualmente indícios de um bombardeamento meteórico antigo e provas duma intensa actividade tectónica, fenómenos de vulcanismo, de erosão pela água, de desgaste e sedimentação pelo vento. Os canais observados no telescópio eram afinal numerosos vales sinuosos e tinham todas as características de leitos de rios secos. Supõe-se que o líquido que correu nesse vales foi a água.


A atmosfera de Marte foi determinada com grande precisão: 95,3% de dióxido de carbono, 2,7% de azoto, 1,6% de argo e vestígios de oxigénio, de monóxido de carbono e de outros gases. O vapor de água está presente em 0,035% mas pode variar com a região e a época do ano. As temperaturas são baixas e os desvios térmicos diurnos acentuados: no equador as temperaturas extremas atingem +22 ºC durante o dia e descem a -73 ºC durante a noite. Por vezes desencadeiam-se bruscamente violentas tempestades que podem varrer vastas regiões. A velocidade dos ventos pode ultrapassar 200 km/h, levantando então grandes nuvens de poeira ocre, que chegam a atingir alturas da ordem de 50 km e encobrir a superfície do planeta. O aparecimento de manchas sombrias é provocado por um deslocamento de materiais, deixando a descoberto um substrato mais escuro.


A actividade sísmica de Marte é fraca, o seu campo magnético é da ordem de 2% do terrestre.


Marte tem dois pequenos satélites, Fobos e Deimos, que foram descobertos em 1877 pelo astrónomo Asaph Hall e têm órbitas circulares a 6000 km e 20 000 km, respectivamente. A órbita de Fobos está a diminuir constantemente e calcula-se que daqui a 30 milhões de anos se esmague contra a superfície de Marte.

publicado por Lumife às 02:16

Março 18 2005
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Cancro da próstata : Sintomas são muitas vezes descurados.


O cancro da próstata tem consequências graves que passam pela incontinência urinária e pela impotência, podendo mesmo conduzir à morte. O diagnóstico precoce é um factor crucial no tratamento deste tipo de cancro.



O cancro da próstata é um tumor maligno que surge na próstata, mas que pode alastrar a outros órgãos, em casos mais avançados. Os homens com idade superior a 50 anos são os mais afectados, embora possa aparecer em indivíduos mais jovens.



Segundo o Dr. Sérgio Barroso, oncolo­gista no Centro Hospitalar do Baixo Alentejo – Beja, «o cancro da próstata é uma doença muito silenciosa», em que os sintomas podem não ser totalmente perceptíveis para o homem. O indivíduo apresenta-se sem sintomas na fase inicial.


Mais tarde, em fases avançadas, apresenta sintomas, tais como dificuldade em urinar, uma frequência maior na necessidade de urinar, que pode mesmo surgir durante a noite, sangue na urina ou infecções urinárias. A dor local e nos ossos, quando está presente, é sinal de que a doença já está avançada.


Segundo o especialista, «o que acontece é que muitos homens já têm o hábito de se levantar durante a noite para ir à casa-de-banho, pelo que os sintomas são, na maioria das vezes, descurados».


Sérgio Barroso afirma ainda que estes sintomas podem confundir-se com pato­logias como a hipertrofia benigna da próstata, o que faz com que estes sintomas sejam muito difíceis de distinguir.



«No entanto, há que estar atento aos primeiros sintomas», avisa o médico.



O oncologista adianta também que não há factores de risco claramente associados a esta doença. Os especialistas sabem que indivíduos com familiares directos afectados pelo carcinoma da próstata têm uma probabilidade maior de contrair a doença, e que esta é também mais frequente na raça negra.



No entanto, «a relação entre factores como o ambiental ou o sexual, por exemplo, e o cancro da próstata não está claramente provada. Não existe uma relação causa-efeito como a existente entre o tabaco e o cancro do pulmão, por exemplo».



Sintomas


Dor ao urinar;

Aumento da frequência da necessidade de urinar;

Fluxo urinário fraco ou intermitente;

Dificuldade em atingir a erecção;

Sangue ou sémen na urina;

Dor ou rigidez a nível da coluna lombar, ancas ou parte superior das coxas.

A necessidade de urinar



O cancro da próstata desenvolve-se na glândula prostática, órgão que circunda a uretra, o canal por onde a urina é expelida. O tumor comprime a uretra, provocando dor na micção e o aumento da frequência da necessidade de urinar.



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Cancro da próstata: o diagnóstico



O melhor método para detectar o cancro da próstata de forma precoce é o rastreio, que é recomendado anualmente a partir dos 50 anos ou nos grupos de maior risco, desde os 40 anos.



Porém, o oncologista afirma que esta não é uma atitude consensual na comunidade médica. Os que não vêem benefícios no rastreio sistemático defendem que ele apenas permite saber mais cedo que o doente tem cancro, mas não impede a mortalidade. Quem está a favor do rastreio acredita que as novas técnicas de tratamento irão permitir aumentar a esperança de vida dos doentes.



A doença pode ser detectada através do toque rectal e por meio de uma análise ao sangue que detecta o antigénio específico da próstata (PSA). Esta é uma substância produzida pelas células normais e também pelas cancerígenas da próstata que circula na corrente sanguínea. Quando há um tumor, a quantidade da substância aumenta, devido a uma maior libertação de PSA na corrente sanguínea.



«Mas os níveis elevados de PSA também podem estar associados a outras doenças», como a já referida hipertrofia benigna da próstata. «No entanto, os níveis de PSA, quando em presença de hipertrofia, e apesar de elevados, são mais baixos do que em caso de cancro. Para confirmar o diagnóstico, o médico especialista realiza um conjunto de análises sanguíneas seriadas, incluindo o PSA, de modo a estabelecer um padrão».



Sérgio Barroso adianta que este é dos métodos mais importantes para o diagnóstico do cancro da próstata: «É uma das análises que mais ajudam no diagnóstico e que fornecem informações muito importantes.»



O toque rectal é, normalmente, o exame mais difícil para o paciente. Existe alguma relutância e algum preconceito por parte do homem em submeter-se a este exame.


«É um factor dissuasor e faz com que o doente vá adiando e acabe por não consultar atempadamente o médico, fazendo com que o cancro seja detectado numa fase evolutiva mais avançada», conforme diz Sérgio Barroso.



O diagnóstico de certeza é feito através de uma biopsia, que consiste na remoção ou colheita de tecido da próstata para posterior análise microscópica e confirmação da presença de células cancerígenas.



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Cancro da próstata: fases de evolução e tratamentos



Quando o cancro da próstata é detectado numa fase inicial, este consiste num tumor de pequenas dimensões, perfeitamente localizado, na próstata.



Sérgio Barroso afirma que, «nestes casos, um dos tratamentos de eleição é a operação ou remoção cirúrgica do tumor». Este tratamento «permite algumas vezes curar o doente», afirma o médico. Mas a intervenção cirúrgica pode ter efeitos secundários associados, como a impotência ou a incontinência urinária.



Numa fase inicial também pode recorrer-se à radioterapia, que consiste na aplicação de radiação para tratar o tumor. Segundo Sérgio Barroso, há dois tipos de radioterapia: a externa e a realizada através de implantes, a braquiterapia ou radioterapia intersticial.

Esta última implica a introdução de pequenos grãos ou sementes de material radioactivo no interior da próstata, junto ao tumor, que vão emitir radiações que o vão destruir. Na radioterapia externa, o doente é colocado num aparelho semelhante a uma TAC e é submetido a radiações locais.


«A escolha do tratamento depende do quadro clínico do paciente, de outras doenças que tenha e da sua vontade após conhecer as vantagens e desvantagens de cada opção», diz Sérgio Barroso. Quando o tumor é detectado numa fase mais avançada, dispomos de uma outra alternativa, a terapêutica hormonal.



O tu­mor da próstata é hormonossensível, isto é, alimenta-se das hormonas masculinas ou androgénios, como a testosterona. O tratamento hormonal consiste no bloqueio ou na supressão da produção dos androgénios através de medicamentos.


«Mas este tratamento controla a doença por um período de aproximadamente dois anos, dependendo da agressividade do tumor», considera o especialista.


A partir desta altura o organismo e as células cancerígenas tornam-se resis­tentes à terapêutica hormonal:


«Diz-se que o doente entra em escape hormonal. A partir daqui torna-se necessário um tratamento mais agressivo, já que o tumor fica de novo descontrolado e livre para evoluir e alastrar a outros órgãos.»



O cancro em estado metastático espa­lha-se para outros órgãos, afectando primeiro o osso e os gânglios linfáticos, posteriormente o pulmão e o fígado. Nestes casos, o tratamento mais indicado é a quimioterapia.



Resumo das fases de evolução do cancro e tratamentos


Fase precoce ou inicial:


Cirurgia

Radioterapia externa

Radioterapia por implantes ou braqui­terapia ou radioterapia intersticial.


Fase mais avançada:


Terapêutica hormonal


Fase disseminada (metastizada):


Quimioterapia.




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Cancro da próstata: avanço no tratamento



A Comissão Europeia (CE) aprovou recentemente a utilização do docetaxel, um fármaco específico utilizado na quimio­terapia, ou seja, usado no tratamento do cancro em fases mais avançadas.



A aprovação por parte da CE baseou-se nos resultados de um estudo, o TAX 327, realizado em 1000 doentes. Foram constituídos dois grupos, um em que foi utilizada a mitoxantrona, fármaco até agora standard no tratamento por quimio­terapia deste tumor, e o segundo em que se recorreu ao docetaxel.



A conclusão mais relevante do estudo foi o aumento do tempo de vida dos doentes.



«Até aqui, as terapêuticas utilizadas não tinham tradução ao nível da sobrevivência, apenas ao nível da diminuição da dor. Pela primeira vez, conseguiu-se, com este tratamento, aumentar o tempo de vida dos doentes», afirma Sérgio Barroso.



Os doentes tratados com docetaxel sobreviveram em média 18,9 meses, o que corresponde a 24% de redução do risco de morte devido ao tumor. Verificou-se também um aumento de 59% na resposta à dor e uma melhoria dos níveis de PSA de 43%.



Contudo, neste estudo, o tratamento com docetaxel foi mais tóxico do que com a mitoxantrona. «Os efeitos secundários são mais intensos, sendo que entre os mais comuns estão náuseas, fadiga e diarreia», afirma Sérgio Barroso, acrescentando:


«Mas estes efeitos secundários, no seu conjunto, não afectam significativamente a qualidade de vida do paciente, de tal modo que, no estudo, os doentes que fizeram este tratamento tiveram melhor qualidade de vida global.»



O tratamento é administrado de forma simples, sem necessidade de hospitalização, deslocando-se o doente ao hospital apenas de três em três semanas.



«A utilização do docetaxel foi um passo muito importante. Este passou a ser o tratamento standard para o cancro da próstata hormonorresistente, substituindo a mitoxantrona. Podemos agora começar a investigar e a combinar com este vários fármacos e abordagens terapêuticas, para que o tratamento se torne ainda mais eficiente», afirma Sérgio Barroso.



Esta terapêutica já está disponível em Portugal. O docetaxel havia sido aprovado no tratamento de outros tipos de cancro, mas só em Novembro passado a entidade reguladora europeia (EMEA) concedeu a aprovação deste fármaco para a utilização no cancro da próstata resistente à terapêutica hormonal.



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Cancro da próstata: estatísticas relacionadas com o cancro da próstata




O carcinoma da próstata ocupa o terceiro lugar, a nível mundial, no que respeita a incidência de doenças oncológicas e o sexto lugar em termos de taxa de mortalidade por cancro no sexo masculino.




Um em cada seis homens tem probabilidade de contrair cancro da próstata, segundo as estatísticas europeias.




Em Portugal, surgem quatro mil casos por ano, o que representa cerca de 19% do total dos tumores.




Em termos de mortalidade em Portugal, o cancro da próstata é o segundo tumor responsável pela morte por doença oncológica no homem. Morrem cerca de 1800 homens por ano com cancro da próstata.




Nos EUA, mais de 230 mil homens terão sido diagnosticados com cancro da próstata em 2004 e cerca de 30 mil virão a falecer da doença.




Na Europa, as previsões apontam para 138 mil novos casos diagnosticados e 45 mil mortes.



(A responsabilidade editorial e científica desta informação é da Medicina e Saúde)


publicado por Lumife às 02:04

Março 15 2005
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ENSAIO / FERNANDO DACOSTA




TERRORES BRANCOS




Prevê-se que em cada cinco crianças nascidas hoje, três jamais arranjarão emprego estável





As gerações que fizeram a guerra colonial, que acreditaram no 25 de Abril, que abriram a democracia, têm agora pela frente, em vez de um tempo afagante, um horizonte áspero – porque opaco de desamparos para os seus descendentes. A crença que as moveu durante a vida saiu-lhes, sai-lhes no final dela, pela culatra. O País mais justo, mais ameno, que pensaram construir não passou, para a maior parte, de uma ilusão, um engodo.



CORROMPIDA, A LIBERDADE imergiu-as em novas (outras) desigualdades, indignidades, como as do crescente, insaciável «triângulo negro» da precarização, escravização, exclusão. Direitos penosamente conquistados (na saúde, na assistência, no trabalho, no ensino, no lazer, na cultura) estão a ser dissolvidos em cascatas de perfumado cinismo light. Os jovens que entram no mundo do emprego fazem-no a prazo, a contrato volátil, vendo-se, sem a mínima segurança, impedidos de construir uma vida própria, entre zappings de subtarefas e de pós-formações ludibriadoras.



O problema não tem no sistema vigente, o que poucos ousam admitir, solução visível. Enquanto isso há quem, para se confundir (confundir), culpabilize por ele a baixa taxa de natalidade e, lestamente, se proponha incentivá-la – incentivá-la para aumentar o número de crianças abandonadas?, para disparar a percentagem de jovens sem ocupação?, para renovar de carne fresca e farta os canhões, as camas, os catecismos, os esclavagismos? Prevê-se, com efeito, que em cada cinco crianças nascidas hoje em Portugal, três jamais arranjarão emprego estável.



A QUEDA, POR EXEMPLO, de descontos para a Previdência (que tanta ondulação provoca) não advém da falta de trabalhadores com vontade de fazê-los – aos descontos; advém, sim, da falta de trabalho para serem feitos. Há já mais de 600 mil desempregados «seniores» e de 80 mil jovens à procura do primeiro emprego (40 mil licenciados), sem que ninguém, ao que se observa, se dinamize com isso. Nesta fase, as teses «coelheiras» só iriam agravar, não resolver, os problemas demográficos existentes.




SUBIR A IDADE DA REFORMA PARA OS 70 ANOS (aos 50 um trabalhador começa a ser tratado pelos superiores e colegas como um estorvo), aumentar os horários laborais ( a produção tornou-se não insuficiente mas excessiva para o mercado), congelar os salários líquidos (enquanto a inflação os baixa) como defendem certos especialistas (que preservam, no entanto, para si retribuições e reformas milionárias) apenas desarticulará o mecanismo social que a humanidade vem, penosamente, construindo no sentido de tornar a existência mais digna e solidária.



As velhas gerações , a sair de cena, agarram-se às influências que julgam, julgavam, manter, merecer. Disfarçando desesperos, socalcam sem resultados patéticas vias sacras de cunhas, súplicas, empenhos, hipotecas, tráficos. As crispações que não sentiram quando, décadas atrás, iniciaram as suas carreiras (eram de outro tipo as, então, sofridas) experimentam-nas agora em relação à insegurança inquietante dos filhos e netos.
Ingénuas, acreditaram que bastava, como no seu tempo, um curso superior para se ficar protegido, promovido. Fizeram os seus tirá-lo sem reparar que as universidades se transformaram de clubes VIP em fábricas massificadoras, cada vez mais vazias de elitismos internos e poderes externos.





SÓ OS FILHOS-FAMÍLIA DE FAMÍLIAS dominantes (na direita, no centro e na esquerda, na economia, na política e nos lobbies) dispõem de privilégios garantidos, defendidos.
Portugal continua a ser, mentalmente, uma monarquia – não de sangue azulado mas de compadrio adensado, não de aristocratas aquosos mas de padrinhos gordurosos.



Que será dos jovens quando se lhes acabarem a casa, a mesada, a protecção, os enlevos dos progenitores?



Um terror branco asfixia silenciosamente, para lá do pressentível, várias gerações de nós – entre nós.




(Visão 625-24/02/05)



N/Comentário : Retrato duro mas fiel da situação actual em Portugal. Achei de bastante interesse trazer ao conhecimento de todos (especialmente aos não leitores da Visão) este texto de Fernando Dacosta.

publicado por Lumife às 19:16

Março 11 2005
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José Sócrates formou o Governo no mesmo registo que adoptou para a campanha eleitoral: sem grandes riscos nem mudanças de fundo (a estrutura do Executivo mantém-se, basicamente, na linha do modelo tradicional), impondo discrição e pouco espectáculo mediático, com nomes que não entusiasmam mas também não comprometem, formando uma equipa aparentemente coesa e generalizadamente competente. Ou seja: sem rasgo nem impulso de ruptura mas também sem equívocos ou aventureirismos políticos. É um Governo de contenção, que falará pouco para errar o mínimo, tal como Sócrates antes das eleições. E isso pode ser uma garantia da sua durabilidade.



O único rasgo na composição do Governo é a inclusão, em destacado lugar, de Freitas do Amaral. E se o ex-líder do CDS é, indiscutivelmente, uma mais-valia, pela sua experiência, prestígio e conhecimentos, ele pode converter-se, a prazo, num dos pontos de fricção dentro do Executivo. Não pelo excesso das suas diatribes anti-americanas, que moderará necessariamente de acordo com a orientação política do Governo e da Comissão Europeia, mas pela preponderância que pode ter a propensão de assumir nas políticas do Governo. E pelos conflitos que, tendencialmente, esse excesso de protagonismo venha a provocar com outros ministros e com o próprio primeiro-ministro.



Fora do Governo fica, de novo, António Vitorino. Que sentiu a necessidade de explicar, ao PS e ao país, a reiterada recusa em assumir, a nível interno, mais exigentes responsabilidades político-partidárias. «Não gostei de ser ministro», justifica Vitorino sem aduzir razões e factos mais substantivos. E o cargo de comissário europeu, que exerceu com brilho e com gosto, é muito diferente no estilo e no ritmo de trabalho que exige ao seu titular? A burocracia de Bruxelas é menos desgastante? As reuniões e dossiês são menos cansativos? As instalações e o horizonte visual são mais aprazíveis? Os contactos com as chefias europeias e internacionais são mais gratificantes do que na acanhada Lisboa e nos seus provincianos arredores? Quem esteve a decidir o futuro da União não se adapta à pequenez dos problemas de uma região?



António Vitorino não esclareceu devidamente. Mas sempre foi adiantando que prefere servir o seu país no Parlamento. O que só pode querer dizer que Sócrates e o PS já têm o problema do líder parlamentar, em «full-time», resolvido. Ou não?




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10 Março 2005


(A Opinião de José António Lima - Expresso)

publicado por Lumife às 13:47

Março 08 2005
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No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Esta data é ligada a uma proposta feita em 1910, pela líder comunista alemã Clara Zetkin, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas para lembrar operárias mortas durante um incêndio que ocorreu em uma fábrica em Nova York, em 1857.

Mas há controvérsias quanto a esta versão. Segundo a socióloga Eva Alterman Blay, coordenadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações de Gênero (Nemge) e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o acidente de 1857 não aconteceu. Pelo menos não na data em que é lembrado.

De acordo com Eva Blay o incêndio que se relaciona ao Dia Internacional da Mulher foi o que aconteceu no dia 25 de março de 1911, nos EUA, na Triangle Shirtwaist Company, uma fábrica têxtil que ocupava do oitavo ao décimo andar de um prédio, e que empregava 600 trabalhadores. A maioria eram mulheres imigrantes judias e italianas com idade entre 13 e 23 anos. Parte dos trabalhadores conseguiu chegar às escadas, descendo para a rua ou subindo no telhado. Outros desceram pelo elevador.

O fogo e a fumaça aumentaram e muitos trabalhadores desesperados pularam pelas janelas e algumas mulheres morreram nas próprias máquinas. Na tragédia 146 pessoas morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens.

No local do incêndio foi construída uma parte da Universidade de Nova York onde consta uma placa com a inscrição em homenagem às vítimas do incêndio. Por causa dessa tragédia foram criados novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho, tornando as condições de trabalho as melhores do mundo.

Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário colectivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Mas o processo para instituir uma data comemorativa já vinha sendo estudada pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e acabou sendo confirmada com a proposta de Clara Zetkin em 1910.

A data passou a ser comemorada com mais intensidade na década de 60 com o fortalecimento do movimento feminista, quando passaram a ser discutidos problemas da sexualidade, da liberdade ao corpo, do casamento e dos jovens. O facto é que não se sabe com precisão por que o dia 8 de março foi escolhido, mas ele se consagrou ao longo do século XX. A consagração do direito de manifestação pública veio com apoio internacional, em 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu oficialmente a data como o Dia Internacional da Mulher.



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(Cinderela M.F.Caldeira)

publicado por Lumife às 03:13

Março 04 2005
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publicado por Lumife às 17:48

Março 04 2005
Num partido cuja liderança parece ter caído em hasta pública, é curioso verificar que Paulo Portas teria conseguido, com os cerca de 40 mil votos obtidos pela Nova Democracia de Manuel Monteiro, manter-se como terceiro maior partido e não teria perdido qualquer deputado no Parlamento. No outro extremo, é igualmente interessante constatar que o Bloco de Esquerda ficou à beira de eleger mais 6 deputados, o que o colocaria com um grupo parlamentar idêntico ao do PCP.




Num CDS cujo vazio de liderança ninguém parece querer ocupar (António Pires de Lima rejeitou de imediato, Telmo Correia diz que só à força, Nobre Guedes pôs-se de lado, Maria José Nogueira Pinto diz que ainda não é desta, Lobo Xavier não troca o certo pelo incerto, etc.), percebe-se, com uma análise mais atenta dos resultados eleitorais, que Paulo Portas teria bem maiores dificuldades em abandonar a presidência do partido se Manuel Monteiro não tivesse criado e levado a votos o partido da Nova Democracia (PND).




Com os 40 mil votos e os 0,7% do PND, Portas veria o CDS sair das legislativas de 20 de Fevereiro com 8,0%, em terceiro lugar no «ranking» partidário e com os mesmos 14 deputados que alcançara em 2002. Graças ao acréscimo dos 3.497 votos do PND em Aveiro teria eleito aí o seu segundo deputado. E somando-lhe, no Porto, os 7.661 votos de Manuel Monteiro, o CDS chegaria ao terceiro deputado no círculo portuense. Ficaria, ainda, muito próximo de eleger um segundo deputado em Braga e um em Santarém (bastar-lhe-iam, neste caso, mais 200 a 300 votos). Em contrapartida, com menos 270 votos em Setúbal o CDS teria perdido (para o PCP, calcule-se…), o único deputado que elegeu neste círculo.




Ou seja, numa situação global de queda eleitoral, os votos do PND teriam, ainda assim, permitido ao CDS controlar os danos e alcançar alguns dos seus objectivos, mantendo a posição relativa de 2002. O que tornaria bem mais complicado e difícil de justificar, a Paulo Portas, o seu determinado abandono da liderança. Ironias do destino.




Já a análise dos resultados do Bloco de Esquerda - que elegeu 4 deputados em Lisboa, 2 no Porto e 2 em Setúbal - permite observar que o BE ficou à beira de ampliar para 14 o seu número de parlamentares. Em cinco distritos, o BE não elegeu por pouco o seu primeiro deputado. E, no Porto, esteve quase a celebrar a eleição do terceiro bloquista.




Vejamos os casos. Em Aveiro, com mais 207 votos o BE teria ocupado o lugar do último dos 8 deputados do PS. Em Braga, um acréscimo de 418 votantes roubaria um eleito ao PSD. Em Faro, subindo 1.114 votos substituiria o 6º deputado do PS. Em Santarém, crescendo menos de 3 mil votos (2.939) faria o PS perder o último dos seus 6 deputados. E em Coimbra seria igualmente o 6º eleito do PS que daria lugar a um deputado do BE, se este conquistasse mais 3 065 votos.




Finalmente, no caso do Porto, o BE chegaria ao 3º deputado eleito no círculo (passando o PSD de 12 para 11) se tivesse somado mais 2.622 votos.




O Bloco é, pois, o partido que ficou mais próximo de eleger novos deputados e de ampliar o seu já reforçado grupo parlamentar. É também, pelo método de Hondt que afecta ligeiramente os partidos mais pequenos e favorece os maiores, o mais prejudicado na relação entre o número de votos recebidos (6,4% do total) e o número de deputados que terá no Parlamento (3,5% dos 230).




Para lá da primeira maioria absoluta do PS e do colapso eleitoral do PSD de Santana Lopes, ficam assinaladas estas curiosidades da votação de 20 de Fevereiro relativas aos pequenos partidos: CDS, PND e BE. Dos caminhos cruzados e desencontrados de Portas e Monteiro ao fenómeno (esporádico?) de crescimento em flecha do BE.




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(A Opinião de José António Lima - Expresso)


3 Março 2005

publicado por Lumife às 17:47

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