SABIA QUE...?

Novembro 23 2004
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NA VÉSPERA das eleições americanas, a esmagadora maioria dos comentadores celebrava Kerry, elogiava a sua prestação na campanha e vaticinava a sua vitória.



Bush tinha perdido todos os debates - e, como os americanos não são estúpidos, a sua derrota era quase certa.



Na esquerda, a euforia era enorme.



No dia seguinte às eleições, para os mesmos comentadores, Kerry perdera porque fizera uma campanha titubeante, fora uma decepção, não mostrara convicção sobre coisa nenhuma. Dizia uma coisa hoje e outra amanhã. Numa palavra, como candidato fora um fiasco.



Inversamente, Bush ganhara porque fora muito profissional, fizera uma campanha óptima (embora não da sua responsabilidade mas de um tal Karl Rove), fora afirmativo, revelara convicções - que, mesmo sendo «erradas», davam segurança às pessoas.



De um dia para o outro, muitos dos nossos comentadores tinham mudado de opinião.



O fenómeno não é de agora - é de sempre.



Arrisco mesmo dizer que, se o país tivesse memória e não houvesse um geral clima de impunidade, muitos dos nossos colunistas já não teriam «carteira profissional».



Porque se enganam sistematicamente.



Atacaram Cavaco e mais tarde vieram dizer que tinha sido um óptimo primeiro-ministro; vaticinaram um grande futuro a Fernando Nogueira e erraram rotundamente; disseram que Guterres seria um óptimo primeiro-ministro e depois deram o dito por não dito; garantiram que Durão Barroso estava morto e depois viram-no ser sucessivamente primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia.



E a questão é esta: se esses comentadores se enganaram tanto no passado, como podemos saber se aquilo que garantem hoje será verdade?



Que crédito têm para analisar o que hoje se passa e prever o que acontecerá amanhã, se relativamente a acontecimentos passados erraram tantas vezes?



O que se viu nestas eleições americanas foi constrangedor.



Eu - e muitos telespectadores - vimos em dois dias vários comentadores mudarem radicalmente de opinião.



Num dia, Kerry era óptimo - no outro, era péssimo.



Num dia, Bush era péssimo - no outro, já era óbvia a razão pela qual muitos milhões de americanos tinham apostado nele.



Valha-nos Deus!



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(In Expresso-Online- A Opiniâo de José António Saraiva)

publicado por Lumife às 01:26

Pois, há gente assim! Eu por mim estou de consciência limpa neste aspecto... nunca disse que Kerry seria óptimo! Mas por este caminho, qualquer dia temos o Michael Moore a fazer um filme para elogiar o Bush!Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 23 de Novembro de 2004 às 10:23

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