SABIA QUE...?

Novembro 14 2004
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Parasitas informáticos e programas-espião instalados furtivamente no seu PC fazem dele uma comadre coscuvilheira. Tem a certeza de que a sua máquina sabe guardar segredos?

Francisco Galope / VISÃO nº 609 4 Nov. 2004









Os vírus informáticos propriamente ditos nunca lhe deram problemas de maior. Mas, no início de Outubro, Bill Gates acabou por admitir já ter sido afectado pela peste digital que, presentemente, mais preocupa os especialistas em segurança na Internet e os internautas mais atentos. «Também já tive malware, essa treta [nos computadores lá de casa]», confessou o presidente e principal arquitecto de software da todo poderosa Microsoft Corporation. Malware é um conceito amplo que engloba programas maliciosos e inclui o sempre presente spyware (programas-espião). Ao apanhar o pai do Windows (o sistema operativo mais afectado, por ser o mais usado), a praga de código informático parasitário revela-se democrática: afecta todos. Ou quase.



Os peritos apontam para que nove em cada dez computadores com ligação à Internet estejam contaminados com spyware ou outro tipo de código malicioso. Ou seja: estamos perante a principal ameaça à privacidade e segurança dos internautas. Para o director técnico do Clix, João Bordalo, a sofisticação das estratégias usadas e os propósitos que servem (crescentemente os do lucro monetário), «só nos podem deixar preocupados»



O internauta é infectado através de correio electrónico, navegando na Net ou através de software gratuito. Trata-se, quase sempre, de um (nada inocente) estratagema de empresas de marketing para aferirem os hábitos de navegação de cada um. Escondidos em anexos de e-mail, sites ou programas gratuitos, pequenos programas auto-instalam-se no computador para, a todo o tempo, apresentarem janelinhas com publicidade, ao mesmo tempo que registam – e reenviam para as bases de dados de obscuras agências de publicidade – informações relativas aos hábitos de navegação do utilizador, traçando o perfil de internauta-consumidor e bombardeando-o com anúncios talhados à medida dos seus gostos.



Um big brother no disco



Este é «apenas» o mal menor. Segundo os especialistas da Synmantec, são precisamente as versões mais nocivas que, nos últimos meses, apresentam os maiores índices de crescimento: aplicações que, escondidas nos confins do seu disco rígido, registam e transmitem a terceiros dados pessoais, passwords, logins e outros elementos usados no acesso a contas bancárias através da Internet, e números de cartões de crédito. Outros programas nefastos permitem que alguém mal-intencionado se aproprie remotamente do seu computador (e endereço de e-mail) para difundir, sem que o utilizador o saiba, spam (lixo publicitário). Até se encontram à venda programas para espiolhar a vida digital de cônjuges suspeitos de infidelidade. Basta recorrer a um detective particular...





Malware em números


75 000 é o número que computadores atacados diariamenteHá 78 000 programas-parasita

Nove em cada 10 computadores ligados à internet está contaminado.



Uma em cada seis infecções ocorre através de «cavalos de Troia» ou com programas de monitorização



5,8 dias é o tempo que decorre entre o anúncio de uma vulnerabilidade e o aparecimento de um código malicioso para a explorar



Em cada computador testado no Earthlink Spy Audit detectaram-se, em média, 26 «instâncias» parasitárias



O número de computadores «sequestrados» por controlo remoto subiu, no primeiro semestre deste ano, de 2 000 para 30 000



Fontes: Symantec Internet Security Threat Report; Earthlink Spy Audit






«Nada disto é alarmismo», garante João Bordalo, «já aconteceu episodicamente ou faz mesmo parte do dia-a-dia.» Os números corroboram estas palavras. O Spyaudit, um estudo da Earthlink (fornecedor de Internet) e da Webroot (empresa de software), detectou, entre o início do ano e meados de Outubro, mais de 83,4 milhões de ficheiros de software malicioso em 3,2 milhões de computadores analisados em todo o mundo (uma média de 26 em cada máquina).



A propagação é rapidíssima. De acordo com um estudo do Internet Storm Center, uma organização norte-americana, um PC desprotegido, ligado à Internet, não sobrevive, em média, mais de vinte minutos. A velocidade de propagação da epidemia é proporcional à largura de banda.



Com perto de 600 mil acessos à Internet através de alta velocidade, o problema faz mossa em Portugal. Sérgio Magno, chefe de redacção da revista Exame Informática (do grupo Edimpresa), responde mensalmente às dúvidas dos seus leitores. Segundo afirma, três em cada dez das cartas que recebe são desesperados pedidos de ajuda relativos a efeitos do malware no desempenho dos computadores (ver Identifique os sintomas). Por seu turno, Luís Carlos Almeida, da Ajuda PC, uma pequena empresa de SOS para computadores, da área de Lisboa, diz que mais de 20% dos problemas informáticos em que é solicitada a sua intervenção se relacionam com este tipo de código. Das máquinas que chegam para reparação à Chip7, do Porto, 15% estão infectadas, segundo o responsável da empresa, José Basto.



A pisar o risco



Os estragos podem ser vários: computadores mais lentos, mau funcionamento dos programas de e-mail e crashs mais frequentes.



Pedro Miguel Oliveira, director da Exame Informática, diz que a contaminação está muito ligada às más práticas de navegação e à falta de informação da generalidade dos utilizadores. Por um lado, quanto menos experiente for um utilizador, mais facilmente se tornará vítima. Por outro, a maioria dos utilizadores é negligente: não pratica uma navegação segura, não mantém os programas de protecção (antivírus, anti-spyware e firewalls)
actualizados, nem instala as actualizações do sistema operativo. No caso do Windows XP, a instalação do Service Pack 2 suprime várias falhas de segurança (mas não todas) do sistema operativo da Microsoft. Um responsável técnico do Sapo salienta que o uso dessas medidas deve ser regular. «Tão regular como o uso que se faz do computador», remata o director do Clix. As más práticas de navegação incluem as visitas a certos sites de pornografia e aos de pirataria de software.



«A contaminação é muito mais provável quando se pisa o risco da legalidade», comenta André Zuquete, especialista em questões de segurança informática e professor da Universidade de Aveiro. Com efeito, quando se usa uma aplicação (crack) para romper o código de acesso a um programa (para o usar sem pagar), podemos estar a importar um código malicioso para o nosso disco rígido. O mesmo acontece com a partilha de ficheiros de vídeo, música, imagens e jogos. Além de os próprios programas como o Kazaa ou o Morpheus serem portadores de spyware, há o risco de os ficheiros importados estarem contaminados.



A praga está a assumir proporções tais que à sua volta já nasceu uma verdadeira indústria de softwares de «desparasitação». Dada a dimensão da peste, o negócio prevê-se bastante rentável. E Bill Gates não quer ficar de fora. O patrão da Microsoft aproveitou sua confissão para anunciar que está a trabalhar em programas de detecção e eliminação malware.



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Identifique os sintomas


Tem razões para suspeitar que o seu computador está infestado com spyware ou outro software não desejado quando:



- Janelinhas com publicidade (muitas de conteúdos para adultos) sem qualquer relação com o site que está a visitar. Às vezes, não precisa de estar a navegar para essas pop-up lhe aparecerem.



- Página de entrada muda sem razão aparente e as que lhe aparecem quando clica em «Pesquisar» são-lhe estranhas. As definições do seu browser (Internet Explorer ou outro) foram alteradas sem o seu consentimento e ,mesmo conseguindo repô-las, tudo volta a ficar na mesma, sempre que reinicia o computador.



- Browser transfigurado, com componentes adicionais, como barras de ferramentas e campos de pesquisas, que não se lembra de ter instalado. E mesmo sabendo retirá-las, elas reaparecem cada vez que reinicia a máquina.



- Computador fica lento a executar as tarefas mais rotineiras e aumentou o número de vezes em que determinado programa se vai abaixo.



- Programas antivírus ou anti-spyware estão desligados ou funcionam mal. Trata-se de uma táctica de sobrevivência dos autores de códigos maliciosos, que consiste em atacar os programas de protecção.



- A sua conta telefónica aumentou. Um dialer pode ter sido instalado, furtivamente, no seu computador, para que a sua ligação à Internet se faça através de uma linha de valor acrescentado.





publicado por Lumife às 20:12

Acho que é mais fumaça do que fogo! No entanto, tenho tudo muito bem protegido, principalmente por causa dos blogs... :-))Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 15 de Novembro de 2004 às 11:56

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