SABIA QUE...?

Novembro 04 2004
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No último dia 4 de Agosto, Yasser Arafat comemorou 75 anos. Não houve festa no seu quartel-general em Ramallah, onde está confinado por Israel desde Dezembro de 2001, até porque os motivos para celebrações não abundam: o seu estado de saúde há muito que é precário e, além disso, enfrenta uma forte contestação à sua liderança.



Apesar de afirmar ter nascido a 4 de Agosto de 1929 em Jerusalém, uma certidão de nascimento aponta antes para 24 do mesmo mês, no Cairo, Egipto. Um de sete irmãos, filho de um comerciante abastado, Arafat pertence, por parte de sua mãe, à família sunita Husseini, muito prestigiada em Jerusalém. A progenitora morreu quando Arafat tinha apenas cinco anos, acabando por ser enviado por um tio materno em Jerusalém. O actual líder palestiniano não gosta de falar em público sobre a sua infância, mas sabe-se que uma das suas memórias mais antigas envolve soldados britânicos a entrar de rompante na casa do tio, a meio da noite.



Quatro anos depois, o pai levá-lo-ia para o Cairo, onde, antes de completar 17 anos já contrabandeava armas para uso dos palestinianos contra os britânicos e os judeus.



Arafat estudou na Universidade do Cairo entre 1952 e 1956, formando-se em engenharia civil. Entretanto, tornou-se presidente da União de Estudantes Palestinianos. Recrutado pelo exército egípcio, serviu na campanha do Suez, em 1956. Pouco depois, mudar-se-ia para o Kuweit, onde trabalhou como engenheiro.



Foi no final dos anos 50 que Arafat co-fundou o movimento nacionalista palestiniano Fatah, que mais tarde se tornaria o braço militar da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), criada em 1964 e apoiada por Estados árabes como a Síria, o Líbano, o Egipto ou a Jordânia, com o objectivo de representar cerca de 4.5 milhões de palestinianos. Só depois da derrota árabe na guerra dos seis dias, que valeu a Israel o controlo da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, Arafat foi eleito presidente do comité executivo da OLP








Mais armas que ramos de oliveira



Em Novembro de 1974, com o apoio dos Estados árabes, Yasser Arafat tornou-se o primeiro líder de uma organização não-governamental a falar no plenário da Assembleia-Geral das Nações Unidas. «Trago um ramo de oliveira e a arma de um lutador pela liberdade», foi a frase que então proferiu e que ficou para a História.



Em defesa de um estado palestiniano independente, Arafat opôs-se, em 1978, aos acordos de Camp David, que concediam autonomia palestiniana na Cisjordânia e em Gaza. Mas o líder da OLP acreditava que a «autonomia» seria traduzida na continuação do controlo israelita.



Muitas tentativas de acordos depois, os esforços que conduziu para a paz valeram-lhe em 1994, o Prémio Nobel da Paz, que dividiu com Yitzhak Rabin e Shimon Peres, então, respectivamente, primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros israelitas.



Mais tarde, seria eleito presidente da Autoridade Palestiniana, encarregue de governar as áreas controladas pelos palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. As negociações para a criação de um estado palestiniano continuaram com Ehud Barak como primeiro-ministro israelita. As fronteiras do futuro estado, o estatuto dos refugiados e também de Jerusalém, cidade sagrada tanto para muçulmanos como para judeus, eram os pontos mais sensíveis.



Todos os esforços para a paz seriam frustrados em Setembro de 2000, com o início da chamada Intifada, que começou com a visita, sob forte escolta, do líder conservador israelita Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas. Os confrontos, que começaram com o arremesso de pedras por parte dos palestinianos, acabariam por se estender à Cisjordânia e a Gaza, fazendo mais de cem mortos em dez dias.



Agora, com os rumores sobre a eventual proximidade da sua morte e enfrentando uma oposição cada vez mais aguerrida, Arafat continua a dormir num pequeno quarto, com apenas uma janela de dimensões reduzidas, através da qual vê um monte de entulho e chapas de carros, espelhos de raides israelitas.




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(Clara Cardoso - Visãoonline)

publicado por Lumife às 18:26

Uma bela homenagem, uma maior perda para o Mundo...polittikus
(http://polittikus.blogs.sapo.pt)
(mailto:pp@sapo.pt)
Anónimo a 5 de Novembro de 2004 às 13:54

Bonita homenagem que é o que convém sublinhar para já...Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 5 de Novembro de 2004 às 12:09

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