SABIA QUE...?

Outubro 27 2004
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Três semanas depois, Marcelo Rebelo de Sousa contou a sua versão dos acontecimentos que precipitaram a sua saída da TVI, no passado dia 6. Ouvido pela Alta Autoridade para a Comunicação Social, em audiência aberta aos jornalistas, o professor confirma ter sido alvo de pressões por parte do presidente do conselho de administração da Media Capital, a que pertence a TVI, no sentido de modificar o teor das suas intervenções de domingo.



O ex-presidente do PSD clarificou que Miguel Paes do Amaral fez questão de lhe lembrar, durante a conversa que mantiveram na véspera da sua saída da TVI, na terça-feira, dia 6, que a televisão é um meio diferente da imprensa, na medida em que depende do licenciamento do Estado. Olhando para a TVI, em particular, o patrão da estação de Queluz terá considerado, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, que eram inaceitáveis os «comentários sistematicamente anti-governamentais». Neste sentido, conta o professor, Paes do Amaral convidou-o então a repensar a orientação das suas intervenções, para o que lhe terá dado um prazo de duas semanas.



Na mesma altura, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a sua intenção de sair, o que lhe terá valido pedidos para repensar. Na quarta-feira seguinte, o professor terá comunicado que a sua decisão se mantinha.



Na última segunda-feira, 25, Paes do Amaral falou no Parlamento sobre o caso, adiantando que «a razão da conversa não tinha a ver com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, mas com um pedido de conselhos sobre temas estratégicos para a Media Capital», aproveitando a experiência jurídica do professor universitário. O presidente da Media Capital disse ainda que a conversa foi marcada dia 1 de Outubro, antes das afirmações de Rui Gomes da Silva, não tendo qualquer relação com estas e afirmou ter recebido com «a maior surpresa» a notícia da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI.


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PS exige explicações



Ao concluir que Marcelo Rebelo de Sousa foi pressionado para sair da TVI, o PS vem a público exigir explicações urgentes do primeiro-ministro sobre os «tristes episódios» que se estão a registar na comunicação social.



Reagindo às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa na Alta Autoridade para a Comunicação Social, o dirigente socialista Augusto Santos Silva disse ter concluído que o ex-presidente do PSD «sofreu pressões» em relação aos seus comentários políticos.



«Essas pressões foram veiculadas a Marcelo Rebelo de Sousa pelo presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, que as associou ao Governo», referiu o membro da Comissão Política do PS.



Ainda de acordo com Augusto Santos Silva, as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, «criaram um condicionamento objectivo ao conteúdo dos comentários» proferidos pelo ex-líder social-democrata na TVI.



«Agora, é preciso esclarecer totalmente as razões da iniciativa singular e excêntrica do presidente da TVI e é preciso saber que negócios tem a Media Capital com o Estado», referiu o ex- ministro da Educação.



Segundo Augusto Santos Silva, o PS «reserva-se a tomar todas as iniciativas possíveis em sede parlamentar sobre este caso», porque se pode estar «perante uma iniciativa de grande envergadura para o condicionamento da liberdade de expressão em Portugal».



«Na medida em que o Governo tem sido associado a estes tristes episódios, é preciso que o primeiro-ministro esclareça o que se está a passar», frisou o deputado do PS, lembrando, depois, que a maioria PSD/CDS-PP «tem impedido que Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro Gomes da Silva prestem esclarecimentos no Parlamento».



«A maioria PSD/CDS-PP não pode continuar a desvalorizar o Parlamento, deixando para a Alta Autoridade para a Comunicação Social a única instância onde o caso pode ser esclarecido», acrescentou o ex- ministro de António Guterres.



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(in Visãoonline)


publicado por Lumife às 19:06

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