SABIA QUE...?

Setembro 13 2004
fome.bmp



.


"A minha mãe é a mais velha de três irmãos. Quando tinha 10 anos, apenas com a 3ª

classe (a 4ª completou-a já adulta), teve que sair do lugar onde vivia e ir servir para


casa de um casal com algumas posses, que viriam a ser os meus padrinhos. Devido


às dificuldades por que passou, a minha mãe sempre deu muito valor à comida


(a história da sardinha dividida por três era recorrente na minha infância).


A minha mãe sempre me obrigou a comer tudo o que havia no prato: «A comida não


é para estragar! É muito cara para deitar fora!»



Talvez por isso, ainda hoje me custe ver sobrar comida. Sempre que deixo alguma


coisa no prato, fico com o sentimento de culpa de quem está a desperdiçar um bem

precioso.



Na escola secundária aprendi que havia três tipos de fome: a fome aguda (que sen-


timos quando passam umas horas sem nos alimentarmos, e que já todos

experimentámos), a fome oculta (resultante da falta dos nutrientes básicos para o

equilíbrio do organismo) e a fome crónica (aquela que só vemos no telejornal, a das

crianças com barrigas de água dos países sub-desenvolvidos).


É justamente da fome crónica que quero falar. Porque é desta fome que falamos


quando falamos da fome.



Provàvelmente devido ao respeito pela comida na minha educação, de todas as


misérias humanas, nenhuma me choca mais do que a fome. Suporto ver tudo:


guerras, doenças, droga, tudo... Menos a fome.


Não consigo compreender um mundo metade consumista, frívolo e fútil, e metade


triste, miserável e faminto.


Não consigo compreender (e ainda ninguém me conseguiu explicar) a coerência


duma sociedade onde o excesso de produção alimentar dá direito a multas, e onde

enterrar ou destruir alimentos é mais usual que a sua distribuição.


Não consigo compreender, e não há de certeza nenhuma teoria que me consiga


convencer de alguma lógica por trás disto.



Podem falar-me de civilização, de democracia, de avanço tecnológico, das merdas


que quiserem.


Mas eu sei que onde há fome, não há liberdade.

"

.


(Cidadão do Mundo)

publicado por Lumife às 22:43

Não há fome que não dê em farturaBarão da Tróia
(http://barao_da_troia.blogspot.com)
(mailto:baraodatroia@sapo.pt)
Anónimo a 14 de Setembro de 2004 às 15:26

São duas premissas: FOME DE LIBERDADE e LIBERDADE DE FOME!Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspo.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 14 de Setembro de 2004 às 10:32

tas a ficar apanhadinho dos blogs...rsrs..e há outra fome a fome cronica comas o k comeres tens sempre fome eu sofro 1 bocadinho disso...bjs
myana
(http://www.misteryimages.weblogger.com.br)
(mailto:One_anne@hotmail.com)
Anónimo a 13 de Setembro de 2004 às 23:18

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