SABIA QUE...?

Junho 10 2005
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"Sempre que no Parlamento se levanta a voz plangente dum

ministro, pedindo que cresça a bolsa do fisco e se cubra

de impostos a fazenda do pobre, para salvação económica da

pátria, há agitações, receios, temores, inquietações,

oposições terríveis, descontentamentos incuráveis. O povo

vê passar tudo, indiferente, e atende ao movimento da

nossa política, da nossa economia, da nossa instrução, com

a mesma sonolenta indiferença e estéril desleixo com que

atenderia à história que lhe contassem das guerras

exterminadoras duma antiga república perdida.


(...)


Temos um déficit de 5.000 contos. Esta é a negra, a

terrível, a assustadora verdade. Quem o promoveu? Quem o

criou? De que desperdícios incalculáveis se formou? Como

cresceu? Quem o alarga? É o governo? Foram estes homens

que combatem, foram aqueles que defendem, foram aqueles

que estão mudos? Não. Não foi ninguém. Foram as

necessidades, as incúrias consecutivas, os maus métodos

consolidados, a péssima administração de todos, o

desperdício de todos. Depois, as necessidades da vida

moderna, de terrível dispêndio para as nações. Como na

vida particular, cresceram as superfluidades, o vão luxo,

o aparato consumidor, mais precisões, mais gastos, a vida

internacional tornou-se tão cara que mais ou menos todas

as nações estão esfomeadas e magras. (...) O déficit

tornou-se um vício nacional, profundamente arraigado,

indissoluvelmente preso ao solo, como uma lepra

incurável."





Assinado,


Eça de Queiroz, 1867



publicado por Lumife às 00:17

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