SABIA QUE...?

Maio 24 2005
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Que Efeito No Futuro das Crianças




O mundo das crianças pode ser bastante complexo. Não basta zelar pelo seu bem-estar físico, outros factores podem ser decisivos no crescimento de uma criança. É imperativo que os pais estejam atentos ao que se passa no interior dos seus filhos.



«De uma maneira geral, desde há algum tempo, as pessoas procuram alguma ajuda, sobretudo no que diz respeito às crianças. Acho que tem havido mais essa procura, porque os pais também estão mais disponíveis para tentar perceber o que é que podem fazer para melhorar a vida dos mais novos, para ajudar os seus filhos», explica o Dr. Pedro Strecht, pedopsiquiatra, que trabalha há já muitos anos com o mundo das problemáticas familiares e as consequências futuras nos mais novos.



Sobretudo hoje, os casais têm menos filhos e, por isso, estão mais disponíveis para valorizar o que se passa no mundo interior dos mais novos, «para perceber que grande parte daquilo que é a construção da vida psíquica futura de uma pessoa começa na infância, através da relação emocional da criança com quem a rodeia, nomeadamente, pai e mãe no início», esclarece o especialista.




Quais As Que Mais Afectam As Crianças?




As problemáticas variam muito e acabam por afectar as crianças. Se, há muitos anos, a alcoolemia era a principal culpada pela desestruturação de muitas famílias e crianças instáveis, actualmente, surgem outros calcanhares de Aquiles no seio familiar.



«Eu diria que, hoje em dia, o problema da toxicodependência é algo que mina muito a família (sobretudo determinado tipo de camadas sociais da nossa população). Também outras situações, como os conflitos e separações traumáticas entre pais», explica o pedopsiquiatra.



Os conflitos entre os pais, quando expostos às crianças, podem afectar o seu equilíbrio emocional.



Muitos adultos pensam que os mais novos não compreendem o mundo dos mais velhos, que não entendem as palavras, os gritos e gestos. Porém, é completamente errado.



Conforme explica Pedro Strecht, «às vezes, há a ideia de que os bebés ou as crianças, quando são muito pequeninas – por não falarem, por não expressarem através da linguagem aquilo que sentem –, não se apercebem das coisas.



É importante chamar a atenção dos pais de que as crianças apercebem-se sempre de tudo aquilo que se passa à sua volta, mesmo em idades muito precoces, como a primeira infância».



O especialista continua o seu raciocínio dando exemplos de algumas situações:



«Até quando as coisas funcionam bem nós sabemos que um bebé sente a falta da sua mãe. Quando acaba a licença de parto e a mãe começa a deixar o bebé numa ama ou num jardim-de-infância e o vai buscar ao final do dia, o bebé faz de início um certo evitamento do olhar, como que a demonstrar que está um bocadinho zangado, que sentiu a ausência. Isso é um sinal claro de que ele percebeu que houve uma mudança naquela relação afectiva.»



As crianças apercebem-se do que se passa e exprimem-se de diversas formas que, por vezes, não são detectadas pelos pais.




Alicerces Emocionais De Uma Criança




Muitas vezes olhamos para uma pessoa e catalogamo-la como emocionalmente instável. Pessoas problemáticas, com dificuldades de socialização e em conseguirem organizar a sua vida, são consideradas adultos desviantes. Contudo, se investigarmos bem a fundo os casos, percebemos que os problemas começaram na infância.



Pedro Strecht refere que «a forma como as crianças se vão moldando, se vão formando – no fundo, como se vão vendo a elas próprias e vendo aquilo que as rodeia –, depende muito da qualidade da relação emocional dos primeiros anos de vida».



Nesta altura têm um papel decisivo os progenitores, como explica o pedopsiquiatra:



«Os principais modelos que a criança interioriza são os de quem está mais próximo delas no seu dia-a-dia, ou seja, o modelo feminino de mãe e o modelo masculino de pai, ou quem representa estes papéis. É partindo da interiorização destes modelos de relação familiar que a criança vai, depois, repetir outras formas de relação com os outros.»



Uma criança segura, com padrões afectivos estáveis, consegue ter, habitualmente, relações de maior investimento, com mais qualidade com os outros. Já uma criança que viva no seio de uma família desestruturada, com situações de padrões extremos muito repetidos, pode vir a dar um adulto problemático.



«Não é obrigatório, mas, de facto, o risco aumenta. Porque o crescimento de cada um de nós, como pessoa, é como uma construção, quanto mais sólidos forem os alicerces melhor tudo o que se constrói daí para cima», declara Pedro Strecht.





O Papel Dos Pais




«Por vezes, os pais não compreendem o porquê das situações e não as valorizam.

Percebem que a criança não está bem na escola, que até anda triste, mas não são capazes de ligar isso a determinado problema que está ali mesmo debaixo do tecto», diz Pedro Strecht, que conhece bem este cenário.



Está habituado à surpresa dos pais quando descobrem que o seu filho tem problemas emocionais:



«Há pais que dizem: “Mas, afinal, isto passou-se tudo tão depressa e eu não conheço bem o meu filho”, ou “Agora é que descobri que há muitas coisas que me passam ao lado”. E este é, de facto, um dos problemas maiores.»



Os pais estão cada vez mais distantes dos filhos, existe uma falta de qualidade no tempo da relação pais/filhos, o que afecta a estabilidade emocional das famílias.



É necessário intervir precocemente perante as situações de risco. Para tal, é necessário que os pais estejam mais atentos às alterações emocionais/comportamentais dos filhos.



«Ajudamos os pais a ter uma melhor leitura do mundo emocional dos filhos», conclui Pedro Strecht. E não deixa de referir que «estes são problemas que dizem respeito às famílias de uma forma transversal e não apenas famílias com características socioculturais mais baixas».





Será Que O Meu Filho Tem Problemas Emocionais?




«Julgo que as crianças acabam sempre por apresentar sinais e sintomas, sobretudo se as situações são muito mantidas», esclarece Pedro Strecht.



Evidenciam sintomas de instabilidade emocional, que variam conforme as idades.



Se uma criança é muito pequena, é mais provável apresentar sinais e sintomas através das grandes funções de relação. Por exemplo, modificações no apetite, com vómitos. O sono também pode sofrer algumas oscilações. Por vezes, registam-se alterações ao nível do desenvolvimento global.



«Se uma criança está em período escolar, é muito fácil que os sinais se manifestem na escola, quer por quebra do rendimento escolar, quer por alteração de comportamento», refere o pedopsiquiatra.



Para além da escola, os mais crescidos podem ter alterações de comportamento, com maior instabilidade, hiperactividade, agressividade, ou o oposto, inibições, isolamentos. Com o crescimento da criança outros receios surgem.



Segundo Pedro Strecht, «há uma idade que assusta muito os pais. São os anos próximos da entrada na puberdade ou adolescência, que vai entre os 10 até aos 14, 15 anos. Penso que está relacionado com o facto de nela existir uma modificação física e emocional com os pais».



Perante tantas dúvidas dos pais, o especialista tenta sossegá-los:



«O ideal é estarem atentos, reportarem-se às suas próprias experiências infantis. O importante é ajudar a repetir as que foram boas e evitar as que sentem como negativas.»




(A responsabilidade editorial e científica desta informação é da Medicina & Saúde)






publicado por Lumife às 22:37

E aqui temos mais uma etapa de formação para a família... e fazes tu muito bem... :-)Carlos Tavares
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(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 25 de Maio de 2005 às 12:25

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