SABIA QUE...?

Maio 16 2005
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O caso dos 2605 sobreiros cujo abate foi permitido por um despacho conjunto dos ex-ministros Nobre Guedes, Telmo Correia e Costa Neves, é exemplar de como os privados se apropriam do que é público para daí obterem vantagens e lucros.



O mais escandaloso, se calhar, nem é o despacho, pelos vistos formalizado mais de uma semana depois do acto eleitoral de 20 de Fevereiro, em que a coligação no poder foi amplamente derrotada, e depois publicado com a data de 16 de Fevereiro. O mais escandaloso é todo o processo, desde o seu início, e a evidência de que a parte privada foi concretizando uma estratégia de aranha desde 1994 para atingir o seu objectivo: viabilizar um empreendimento turístico que serve apenas os objectivos dos seus promotores, o Grupo Espírito Santo, e não qualquer «utilidade pública» que justifique o abate de árvores que levam 50 a 60 anos até delas se poder extrair cortiça, produção que, por acaso, Portugal mundialmente lidera.



Recordemos. Quando o projecto nasceu, havia três partes envolvidas: a Companhia das Lezírias, o Grupo Espírito Santo e um grupo inglês especialista no desenvolvimento e investigação de projectos agrícolas, todos com 33,3 por cento. A sociedade tinha como objectivo prioritário precisamente desenvolver os tais projectos agrícolas - e só, como objectivo secundário, um projecto turístico. Acontece que, e aqui aparece o primeiro facto estranho, a Companhia das Lezírias só poderia subscrever a sua parte de capital e acorrer a novos aumentos através da entrega de terras. Acontece ainda que, tendo chegado numa primeira fase, precisamente através da entrega da propriedade de Benavente, a controlar mais de 55 por cento do capital, estava pelo contrato celebrado impedida de ter mais dos que os tais 33,3 por cento dos votos nas assembleias gerais. Mais estranho ainda, o documento fixava quanto valia o preço do metro quadrado do terreno a entregar em futuros aumentos de capital por parte da Companhia das Lezírias, mais de cem vezes abaixo do que se calcula que valem aqueles terrenos para fins urbanísticos.



O que espanta é como o conselho de administração da Companhia das Lezírias, presidido por João Dotti, assegurou tão mal os seus interesses. O que espanta é que rapidamente o projecto deixou de ser de desenvolvimento agrícola para se virar unicamente para a exploração de um projecto turístico - com o investidor inglês a desligar-se do processo. E o que já não espanta é que cada ministro de Agricultura que ocupava o pelouro tinha em cima da sua mesa de trabalho o referido dossiê para aprovar novos abates de sobreiros que viabilizassem o projecto - apesar da sucessiva oposição do Instituto Florestal.



Em Outubro de 1995, já depois de o PSD ter perdido as eleições legislativas para o PS, o ministro da Agricultura, Duarte Silva, conseguiu que o Conselho de Ministros aprovasse uma alteração à lei dos sobreiros, chamando ao ministro da Agricultura a autorização para o corte desta espécie protegida - e logo de seguida deu autorização para o abate de 4277 sobreiros da herdade da Vargem Fresca. Gomes da Silva, o ministro socialista que se lhe seguiu, anulou a decisão três meses depois - mas já tinham sido abatidos 1672 sobreiros, abrindo espaço para uma barragem e campos de golfe.



Mais recentemente, os memorandos dos técnicos da Direcção-Geral de Florestas, que sempre tinham sido negativos, foram contraditados por uma nota interna de 29 de Dezembro, «mal fundamentada», segundo o actual titular do cargo, Jaime Silva. E soube-se que a técnica dos serviços centrais, que ao longo de dez anos se opusera ao corte dos sobreiros, fora entretanto afastada - aparecendo finalmente, com data de 16 de Fevereiro, mas tomada uma semana depois de 20 de Fevereiro, um despacho assinado por três ministros considerando de «imprescindível utilidade pública» o abate de 2605 sobreiros para viabilizar o empreendimento turístico da Portucale, empresa do Grupo Espírito Santo, em Benavente. A decisão foi travada pelo novo ministro, mas entretanto 900 sobreiros já foram abatidos, permitindo à Portucale construir as infra-estruturas do empreendimento.



Decididamente, não sabemos o que mais admirar. Se a incompetência ruinosa do conselho de administração da Companhia das Lezírias, para não dizer conivência com os interesses privados. Se a tendência para ministros do PSD e CDS autorizarem o abate dos sobreiros quando já sabem que serão substituídos por governos de outra cor. Se a estratégia persistente do Grupo Espírito Santo, que avança quando os tempos políticos lhe são favoráveis, e aguarda pacientemente quando isso não acontece, sem perder de vista o que lhe interessa: capturar para o seu próprio e privado interesse um bem que é do domínio público.



Pode não ser um caso de polícia. Mas que enoja qualquer cidadão honesto e vertical, lá isso enoja.






16 Maio 2005



(A Opinião de Nicolau Santos - Expresso)




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SOBREIROS E MONTADOS










O sobreiro e a cortiça têm uma exepcional importância ecológica e socio-económica no nosso pais.



Convidamo-lo a saber mais sobre o montado de sobro que identifica e caracteriza parte dos nossos ecossistemas e têm um elevado valor paisagistico .



Muitos Sobreiros atingem grande porte e longevidade , constituindo verdadeiros monumentos da natureza encontrando-se alguns classificados como
Árvores de interesse Público.



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FICHA DO SOBREIRO



O Sobreiro era designado pelos romanos de suber e foi dai que veio a sua denominação cientifica em latim do seu género sendo a sua espécie Quercus Suber.



O Sobreiro é uma árvore de porte médio ,com uma copa ampla ,com uma altura média de 15-20 m.Pode atingir em casos extremos , os 25 m de altura . O tronco tem uma casca espessa e suberosa , vulgarmente designada por cortiça . As suas folhas são persistentes e o seu fruto é a glande ou lande.



Existe no Sul da Europa e Norte de África.No nosso Pais existe em praticamente todo o território ,mas com especial incidência a Sul do Tejo. Da área total mundial ocupada pelo sobreiro , Portugal , com 730 000 hectares é o pais com maior área , seguido da Espanha e da Argélia .



O Sobreiro pode ser semeado , plantado ou pode regenerar-se expontâneamente o que acontece em muitas regiões do nosso pais . Cresce melhor debaixo de árvores adultas , vivendo melhor na semi-sombra . Prefere climas com amplitudes térmicas suaves , húmidade atmosférica e insolações elevadas Suporta bem todos os tipos de solos excepto os calcários ou muito mal drenados .


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CARACTERISTICAS DA CORTIÇA COMO MATÉRIA PRIMA



1. LEVE

2. RESISTENTE AO DESGASTE

3. FRACA PERMEABILIDADE

4. ELÁSTICA MAS DE DIMENSÃO ESTÁVEL

5. ISOLADORA TÉRMICA

6. ISOLADORA ACÚSTICA

7. ANTIVIBRÁTIL

8. MUITO RESISTENTE AO ATRITO



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VAMOS MANTER O MONTADO




A progressiva artificialização a que o montado tem sido sujeito , a par de uma exploração intensiva e desregrada e condições climatéricas desfavoráveis tem tido em alguns casos consequências negativas na sua saúde e vitalidade , que importa corrigir .



Os montados têm um elevado valor conservacionista , abrigando uma rica e diversificada flora e fauna , nomeadamente das espécies cinegéticas O sobreiro tem um enorme significado na qualificação ecológica , económica e cultural e paisagistica do pais .Portugal é o maior produtor e transformador indústrial de Cortiça , não se encontrando substituto artificial para um produto com as caracteristicas da cortiça matéria prima limpa , totalmente reciclável.



Deveremos manter um apurado controle sanitário dos sobreiros para evitar a propagação de doenças que afectam o montado , .assim como deveremos proteger e estimular os produtos do montado como o porco montanheiro e os cogumelos .


A paisagem e o sistema ecológico é algo de estratégico , precioso e insubstituivel .A sustentabilidade e a perpectuabilidade das florestas de sobreiro passa por a cortiça se manter como o material eleito para vedantes dos vinhos engarrafados.


Mas é nos vinhos de consumo a curto prazo- mais de 90% dos vinhos mundiais são consumidos em menos de um ano de engarrafamento- que se joga o futuro da cortiça .Os produtos subsidiários da indústria da rolha e os vinhos de qualidade , que certamente nunca descerão á bastardia das rolhas de plástico , são completamente insuficientes para manter os niveis actuais da cadeia subericola .A rolha é o pilar da actividade subericola já que consome apenas 30% a 40% da matéria prima , mas gera 80% do valor acrescentado e apresenta valores de exportação superiores ao Vinho do Porto .


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TURISMO DA NATUREZA E A FLORESTA



Actualmente o montado de sobro é explorado num sistema que se designa por uso múltiplo , de complexidade variável . À utilização subericola e cerealifera junta-se a criação de gado , a exploração cinegética , a utilização dos matos e plantas aromáticas e o fomento de um conjunto de actividades, como a observação de aves , os passeios equestres , ligadas ao turismo em espaços rurais .


A paisagem dos montados merece , pela sua beleza , biodiversidade e importância socio-económica , continuar a ser apreciada e conservada por todos.


Estes ecossistemas , resultado da adaptação da Natureza á acção humana , tem um grande interesse ecológico e antropológico e a sua correcta interpretação permitem a criação de actividades de Educação Ambiental e Ecoturismo.



(in http://pedrobraz.tripod.com)



publicado por Lumife às 22:33

Acho que esgotaste por completo o tema "sobreiro"... está aqui tudo...Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 18 de Maio de 2005 às 12:37

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