SABIA QUE...?

Abril 19 2005
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A qualidade de vida e a possibilidade de realizar tarefas diárias tão simples como subir umas escadas ou lavar os dentes podem estar ameaçadas pela doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).



Em Portugal, esta doença afecta entre 500 a 600 mil pessoas e é a sexta causa de morte. Na União Europeia ocupa o quinto lugar e a nível mundial é a quarta causa de mortalidade. Calcula-se que, em 2020, será a terceira causa de morte nos países desenvolvidos.



De acordo com o relatório mundial anual da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas sofrem de DPOC, e destas cerca de 3 milhões morrem em consequência desta doença todos os anos. Estudos recentes provaram também que uma em cada 10 pessoas com mais de 40 anos poderá, efectivamente, sofrer de DPOC.



À semelhança do que acontece com outras efemérides, também a doença pulmonar obstrutiva crónica tem uma data querida a ela dedicada. Este ano, o Dia Mundial da DPOC celebrou-se a 17 de Novembro. Por acaso (ou não) foi comemorado no Dia Mundial do Não Fumador.



Não combinam nada mal, afinal, é uma doença que, na maioria dos casos, é provocada pelo fumo do tabaco.



No âmbito das comemorações, foram realizadas acções de rastreios para sensibilizar a população em vários pontos do País. A iniciativa, que contou com o patrocínio de vários laboratórios, foi levada a cabo pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, em conjunto com o GOLD (Global Initiative For Chronic Obstructive Lung Disease), um programa de combate à DPOC à escala global lançado em 1997 pela OMS.



A título de exemplo, no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, em Lisboa, esteve patente uma tenda gigante com 240 m2, dividida em 10 consultórios, onde todos os interessados puderam realizar rastreios gratuitos – espirometrias (testes de sopro).



Esta acção resultou de um esforço de união de pneumologistas de muitos hospitais nacionais, assim como de técnicos de Cardiopneumologia.


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A DPOC é caracterizada por limitações na fluidez respiratória, acompanhada por dificuldade respiratória, tosse e aumento da produção de expectoração.



Os doentes tornam-se incapazes de desenvolver as suas actividades diárias normais, como passear o cão, brincar com crianças, cozinhar ou pentear-se.



Esta doença está, normalmente, associada ao tabagismo. Aliás, mais de 90% dos casos são provocados pela inalação de fumo, que acaba por inflamar as vias respiratórias. Trata-se de uma patologia que progride com a idade, levando à incapacidade e morte prematuras.



Verifica-se que a DPOC é mais prevalecente no sexo masculino e em idades avançadas. A mortalidade por DPOC parece ser mais elevada na raça caucasiana.



A poluição urbana poderá contribuir para o desenvolvimento desta enfermidade, bem como a poluição doméstica resultante de sistemas de aquecimento, entre outros.


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Segundo a Prof.ª Cristina Bárbara, pneumologista no Hospital Pulido Valente, «a maior parte dos doentes recorre ao médico demasiado tarde, quando já está instalado o cansaço recorrente. E quando isso acontece a DPOC já está numa fase avançada, em que pouco se pode fazer para estancar a sua evolução».



A especialista é coordenadora nacional do Projecto GOLD (Global Obstructive Lung Disease) e esclarece que «o Projecto GOLD tem por objectivo aumentar, a nível mundial, o conhecimento da população acerca da DPOC e melhorar as condições de diagnóstico e tratamento destes doentes, reduzindo-se assim a mortalidade e morbilidade associadas. Em Portugal, é levado a cabo em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia».



A espirometria é o exame que se utiliza para medir a capacidade respiratória do indivíduo. É também através deste exame que se consegue diagnosticar a DPOC.



«Até agora, os espirómetros estão eminentemente sedeados nos hospitais que têm a especialidade de Pneumologia, o que revela uma cobertura manifestamente insuficiente do território nacional», acusa Cristina Bárbara.



Na opinião da pneumologista, é preciso fazer crescer a oferta de espirómetros, sobretudo nos centros de saúde. Além do aparelho em si, Cristina Bárbara considera fundamental «criar postos de trabalho para técnicos de cardiopneumologia», que se encontram especialmente habilitados para manusear o espirómetro.



Adoptando estas medidas, «estou segura de que haverá uma boa relação custo/ /eficácia», diz a especialista, frisando que «agir no campo da prevenção é a melhor estratégia para travar o crescimento da DPOC».



Actualmente, a DPOC, por si só, tem um tremendo impacto financeiro no Serviço Nacional de Saúde (SNS).



«A maior parte dos doentes, cerca de 80%, que chegam ao especialista hoje em dia já apresentam um estado avançado da doença», garante Cristina Bárbara, avançando: «Só em 2002 consumiram-se 30 milhões de euros em internamentos motivados pela DPOC em Portugal.»



Em termos de custos directos, podem ser contabilizadas consultas, atendimentos urgentes, internamentos (há doentes que chegam a ser internados entre três a quatro vezes por ano) e medicação.



«Cerca de 80% dos custos do SNS com a DPOC são provocados pelos doentes que, com exacerbações, acorrem à urgência hospitalar», frisa Cristina Bárbara.



Por outro lado, há as perdas, incontabilizáveis, ao nível da qualidade de vida e relacionadas com o absentismo laboral, reformas antecipadas e mortes precoces.



«Estudos em curso mostram que a DPOC está a crescer em todo o mundo. Quer queiramos, quer não, este é um problema que vamos ter de enfrentar, até porque o tabagismo não pára de crescer, especialmente nas faixas etárias mais jovens e no sexo feminino», sublinha Cristina Bárbara.


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No que toca ao tratamento, numa fase inicial, é possível recorrer a medicamentos que reduzem o grau de obstrução à respiração (os broncodilatadores), sendo sempre essencial deixar de fumar.



Ainda no âmbito das opções terapêuticas, é possível recorrer a programas de reabilitação respiratória, que devem ser aplicados por fisioterapeutas habilitados.



Nos casos em que a doença já está numa fase muito avançada, «são necessários tratamentos mais agressivos para combater quadros de insuficiência respiratória, altamente incapacitantes», diz a pneumologista, concluindo:



«É necessário fazer oxigenoterapia de longa duração no domicílio, entre 15 a 24 horas por dia.»



Cecília Costa, 56 anos: «Estive à beira da morte»



«Não valorizei os primeiros sintomas, mesmo depois de ter consultado um pneumologista, que recomendou que parasse de fumar», diz Cecília Costa, de 56 anos, a propósito do problema que a aflige, a doença pulmonar obstrutiva crónica.



Certo dia, inesperadamente, tudo se alterou para esta ex-professora de Matemática de Tires.



Contribuiu o facto de ter sido fumadora durante 33 anos. Todos os dias apagava 40 cigarros. Há quatro anos foi obrigada a deixar de o fazer.



«Fui internada na urgência do Hospital de Cascais, onde permaneci durante uma semana, a que se seguiu mais uma semana na Enfermaria. Saí já melhor», recorda Cecília, prosseguindo:



«Passadas umas três semanas, fui novamente internada. Desta vez em Santa Maria, durante 15 dias. Depois destas andanças pelo hospital, fui a nova consulta de Pneumologia e é então que sou internada para avaliação. Já depois de estar internada, a situação complica-se e, nessa altura, dou entrada na UCIR (Unidade de Cuidados Intensivos Respiratórios) do Hospital de Santa Maria, onde permaneci 17 dias ligada ao ventilador.»



O vício do tabaco foi abandonado no dia do último internamento.



«Não me lembro de nada, só sei que este episódio me deixou muito mal. Por exemplo, tive de reaprender a posição da mão para escrever e para comer», comenta Cecília, salientando:



«Foi um momento muito difícil para mim e para a minha família. Estive à beira da morte.»



Nessa altura, quando deixou para trás o ventilador e passou para a Enfermaria, já trazia a máscara de oxigénio. E é desta máscara que depende a sua vida. Diariamente, transporta junto a si, durante 24 horas, uma botija que debita 1,5 litros de oxigénio, numa mochila tipo trolley.



Os demasiados cigarros fumados foram os principais causadores da DPOC, uma doença que torna Cecília Costa tão frágil que basta não usar a máscara de oxigénio para ficar sem sentidos.


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veja se está em risco




Responda às seguintes questões:


Tosse várias vezes na maior parte dos dias?


Tem expectoração na maior parte dos dias?


Fica por vezes com sensação de falta de ar mais rapidamente do que as pessoas da sua idade?


Tem mais de 40 anos?


É fumador ou ex-fumador?


Se respondeu sim a três ou mais destas questões deverá procurar o seu médico e pedir-lhe para fazer um teste à sua função respiratória. Se é fumador, urge deixar de fumar!


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Informações: curtas, mas úteis



O que é?


A DPOC é uma doença respiratória que progressivamente vai roubando ao doente a capacidade de respirar.



Causas


O tabaco é a principal causa para o aparecimento da DPOC, embora a exposição permanente e prolongada em ambientes muito poluídos de pó e fumos também possa desencadear a patologia.



Quem tem DPOC?


São, sobretudo, fumadores ou ex-fumadores, com idade acima dos 40 anos. As crianças não são afectadas e a DPOC não é uma doença contagiosa.



Primeiros sintomas


Tosse acompanhada, ou não, de catarro ou expectoração. Com o tempo poderá sentir-se progressivamente dificuldade em respirar quando se faz algum esforço.



Links úteis:


Sociedade Portuguesa de Pneumologia.



Factos sobre a DPOC


4.ª causa de morte em todo o mundo (partilha esta posição com a SIDA);


Em 2020, a OMS estima que a DPOC será a 3.ª causa de morte no mundo;


12.ª causa de incapacidade no mundo;


Prevê-se que em 2020 seja a 5.ª causa de incapacidade no mundo;


5.ª causa de morte na Europa;


Entre 500 a 600 mil portugueses sofrem de DPOC (estima-se que a incidência suba nos próximos anos);


Dados de 2004 relativos à realidade mundial apontam para que um em cada dez indivíduos com mais de 40 anos tenha DPOC.


Resultados do megarrastreio da DPOC



Para além de diversas sessões de esclarecimento à população através da realização de palestras e divulgação de folhetos, no Dia Mundial da DPOC, foi efectuado um megarrastreio da DPOC, que incidiu sobre 1331 pessoas distribuídas pelos seguintes locais:


Hotel Rivoli (Porto) – 337 pessoas;


Hospital Distrital de Braga – 50 pessoas;


Hospital Distrital de Penafiel – 112 pessoas;


Pavilhão de Portugal (Lisboa) – 501 pessoas;


Centro de Saúde de Almada (Lisboa) – 91 pessoas;


Hospital Fernando da Fonseca (Lisboa) – 72 pessoas;


Hospital Pulido Valente SA (Lisboa) – 30 pessoas;


Açores – 138 pessoas.


Uma análise estatística parcelar aponta para as seguintes características da população:
Média de idades de 54 anos;


55% homens;


34% de fumadores;


12% de ex-fumadores.


Mediante avaliação sumária de queixas respiratórias, 44% dos rastreados apresentavam tosse e expectoração. A realização da espirometria detectou obstrução das vias aéreas em 12% dos rastreados.



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(A responsabilidade editorial e científica desta informação é da Medicina & Saúde)







publicado por Lumife às 21:31

Eu estou em toidas as percentagens... fumo de vez em quando.Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)
Anónimo a 20 de Abril de 2005 às 13:07

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