SABIA QUE...?

Novembro 10 2004
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Álvaro Barreirinhas Cunhal, filho de Avelino Cunhal e Mercedes Cunhal, nasceu na freguesia da Sé Nova em Coimbra, no dia 10 de Novembro de 1913.



Álvaro Cunhal teve dois irmãos mais velhos, António José, que morreu em 1933, com vinte e dois anos, vítima de tuberculose, e Maria Mansuenta, que morreu em Seia, em 1921, com apenas nove anos, também vítima de tuberculose.



A sua infância foi vivida em Seia, terra de seu pai.



Com onze anos de idade muda-se com a família para Lisboa, onde faz os seus estudos secundários no Pedro Nunes e mais tarde no liceu Camões.





Em 1927, nasce a sua irmã mais nova, Maria Eugénia.



Em 1931, com dezassete anos, ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa, onde inicia a sua actividade política. Neste mesmo ano filia-se no PCP e faz parte da Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional.



Em 1934 torna-se representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário, mas devido à intensa actividade política a faculdade acaba por passar para segundo plano.



Segundo uma biografia publicada em 1954, pelo Secretariado do PCP, Álvaro Cunhal terá entrado na clandestinidade em 1935 e participado no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista em Moscovo.



Em 1936 entra para o Comité Central do PCP, que o envia a Espanha, onde vive os primeiros cinco meses da guerra civil.



Em Junho de 1937 é preso pela primeira vez. É levado para o Aljube e posteriormente transferido para Peniche. Um ano depois é libertado, mas por razões políticas é obrigado a cumprir o serviço militar, em Dezembro de 1939, na Companhia Disciplinar de Penamacor. Por razões de saúde, Álvaro Cunhal acaba por ser dispensado pela Junta Médica Militar



Ao longo da década de 30, Cunhal foi colaborador de vários jornais e revistas, entre os quais se contam "O Diabo"; "Sol Nascente"; "Seara Nova"; "Vértice"; e nas publicações clandestinas do PCP, "Avante" e "Militante", onde escreveu artigos de intervenção política e ideológica.



Em Maio de 1940 é novamente preso e faz o seu exame final na Faculdade de Direito de Lisboa sob escolta policial. Apresenta uma tese sobre a realidade social do aborto, que seria avaliada por um júri composto por Marcelo Caetano, Paulo Cunha e Cavaleiro Ferreira, figuras destacadas do regime Salazarista. A sua classificação final foi de 16 valores.




Em 1941 trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares, pai de Mário Soares, função que desempenhou até Dezembro do mesmo ano, altura em que entrou de novo na clandestinidade.



Em 1947, faz uma viagem clandestina à URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e França, a fim de restabelecer as relações do PCP, com o movimento internacional.



A 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal é preso pela terceira vez, numa casa clandestina do Luso. Com ele são também presos Militão Ribeiro e Sofia Ferreira.



O seu julgamento ocorreu um ano depois. Neste julgamento Cunhal fez uma declaração em que se afirmava "filho adoptivo do proletariado" e dirigiu um forte ataque ao regime salazarista.




Foi condenado e preso na Penitenciária de Lisboa, sendo transferido para a prisão-fortaleza de Peniche em 1958.



Em 1953 desenvolve-se um movimento internacional de solidariedade pela sua libertação, que conta com a participação de inúmeros intelectuais e artistas estrangeiros. Destes destacam-se Jorge Amado e Pablo Neruda, que lhe dedica o poema "Lámpara Marina"



Dos onze anos que esteve encarcerado, foi mantido incomunicável durante catorze meses e passou oito em total isolamento.



Em Janeiro de 1960 dá-se a famosa fuga do Forte de Peniche.



A 25 de Dezembro de 1960 nasce a sua única filha, Ana Cunhal, fruto da sua relação com Isaura Maria Moreira.



Após a fuga, Cunhal fica ainda cerca de dois anos em Portugal, na clandestinidade. Durante este período viveu em casas clandestinas de vários pontos do país como: Sintra, Ericeira, Amadora, Coimbra, Porto.



Em 1961 é eleito Secretário-geral do PCP.



Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris onde vive clandestino durante cerca de oito anos. Assiste em Paris ao Maio de 68 e é lá que a Revolução de Abril o vai surpreender.



Regressa a Portugal a 30 de Abril de 1974.



A 15 de Maio do mesmo ano toma posse como ministro sem pasta no I Governo Provisório. Mantém o mesmo cargo nos II, III e IV Governos Provisórios.



Em 1975 é eleito deputado à Assembleia Constituinte e até 1992, altura em que se afasta do cargo de Secretário-geral do PCP, é eleito deputado à Assembleia da República, por Lisboa, em todas as eleições legislativas (1976; 1979; 1980; 1983; 1985; 1987). Só por curtos prazos ocupará esse lugar.



Em 1982 torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandona em 1992.



Em Janeiro de 1989 parte para Moscovo, onde será sujeito a uma intervenção cirúrgica cardiovascular. Já recuperado, regressa a Portugal em Junho do mesmo ano.





No ano de 1992 abandona o cargo de Secretário-geral do PCP, que passa a ser ocupado por Carlos Carvalhas, e é eleito pelo Comité Central para o então criado cargo de Presidente do Conselho Nacional do PCP.



Liberto das suas funções de liderança partidária, Álvaro Cunhal, a par da actividade política corrente, assume claramente a sua condição de romancista e esteta. Neste sentido, em 1995 reconhece publicamente ser o romancista Manuel Tiago e um ano mais tarde publica um ensaio sobre estética, onde apresenta as suas reflexões neste domínio.

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(citi)

publicado por Lumife às 21:41

Novembro 09 2004
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O escritor António Lobo Antunes é hoje homenageado, em Lisboa, numa sessão comemorativa do 25º aniversário da sua carreira literária, durante a qual será apresentado o seu novo romance «Eu Hei-de Amar Uma Pedra».



A sessão começa às 18 horas no Teatro de São Luiz, em Lisboa, a par de uma exposição sobre a vida e obra de Lobo Antunes, patente no Jardim de Inverno do teatro e comissariada por Patrícia Reis e Henrique Cayatte.



«Serão realizadas 10 cópias dos módulos desta exposição que irão circular por várias escolas e bibliotecas do país», revelou fonte da sua editora. Além da exposição, a homenagem contará também com uma apresentação da obra do autor de «Fado Alexandrino».



«Cada vez mais português», conforme disse em entrevista à agência Lusa, António Lobo Antunes afirma-se «escritor a tempo inteiro».



Prefere não falar dos livros que escreve, pois «os livros têm vida própria e falam por si», mas revelou que o título do livro «Eu Hei-de Amar Uma Pedra» foi adoptado de uma moda do século XIX que Vitorino lhe cantava e da qual «não se conhece o autor» mas «é um tema popular que encerra uma grande sabedoria».



Os títulos das obras, defende o autor, surgem depois de o livro ter começado ou mesmo até só depois dele terminado. Lobo Antunes não tem o título em mente à partida, mas realça «que mais tarde ou mais cedo ele aparece».



Neste livro surge novamente Lisboa, o bairro do Beato, a «Photografia Royal» mas, como afirmou à Lusa, uma cidade que descreve como a «sua Lisboa».



«Um território afectivo que é meu, não necessariamente a Lisboa tal como todos nós a vemos. É como a Benfica de que falo noutros livros... essa Benfica fica noutro lado», explicou Lobo Antunes.



A homenagem à carreira do escritor será encerrada com um espectáculo protagonizado pelos artistas Kátia Guerreiro, Vitorino e Janita Salomé.







10:09 9 Novembro 2004


(Rui Ochoa/Expresso)

publicado por Lumife às 19:54

Novembro 08 2004
Numa iniciativa sem precedentes em Portugal, o Ministério Público (MP) está a ouvir mais de meia centena de jornalistas de praticamente todos os grandes órgãos de Comunicação Social nacionais. Para já são 53 profissionais – distribuídos por 11 redacções – que estão para ser ou já foram ouvidos pelo procurador-geral adjunto Domingos de Sá, todos pelo mesmo motivo: alegada violação do segredo de Justiça devido às notícias que assinaram sobre o processo Casa Pia.


Arquivo CM



Mesmo em juízo, há que 'resistir activamente às ofensivas. Vale a pena ir preso pelo Código Deontológico pois ele é uma alavanca de credibilidade do trabalho de quem está na profissão', diz Alfredo Maia, presidente do SJ


O CM soube ainda que MP alega que a investigação do caso de pedofilia foi prejudicada com a cobertura noticiosa e pondera pedir indemnizações aos órgãos de Comunicação Social, numa atitude também sem precedentes.



Não começou agora o processo do MP para apurar o desrespeito pelo segredo de Justiça junto da Imprensa portuguesa, e tentar assim pressionar os jornalistas a revelarem as suas fontes quebrando o sigilo profissional. No início do ano o procurador-geral da República, Souto Moura, chamou Domingos de Sá do Tribunal de Trabalho da Maia para o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, especificamente para o inspector encabeçar o processo.



NOVAS NOTIFICAÇÕES A CHEGAR



No entanto, as notificações continuam a chegar às redacções e o número de repórteres a serem chamados ao DIAP não pára de subir, o que confirma a informação que o CM apurou, que aponta no sentido de Domingos de Sá ter dado sinais a quem já foi ouvido de que as notificações não ficarão por aqui.



Além do Correio da Manh㠖 de onde até à data já foram convocados 12 jornalistas –, a lista de títulos envolvidos no processo engloba os jornais ‘Expresso’, ‘Público’, ‘Diário de Notícias’, ‘Jornal de Notícias’ e ‘24 Horas’, as revistas ‘Focus’ e ‘Visão’, os canais de televisão SIC e TVI e a rádio Antena1. De fora, ficam apenas a RTP, a agência Lusa e as rádios TSF e Renascença, que dizem não ter conhecimento de qualquer notificação do MP dirigida a elementos das suas redacções, pelo menos até ao momento.



ARMADILHA DO MINISTÉRIO PÚBLICO



“Uma armadilha”, é como Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, classifica as notificações dirigidas aos profissionais da Imprensa. “É que qualquer pessoa chamada a responder perante a lei deve dizer a verdade e só a verdade, no entanto, o jornalista enfrenta aqui uma dificuldade que é a protecção das sua fontes de informação”, explica Alfredo Maia. Protecção que aliás está prevista no próprio Estatuto do Jornalista, aprovado pela Assembleia da República, e sobre a qual o ponto 1 do artigo do sigilo profissional não deixa dúvidas: “Sem prejuízo do disposto na lei processual penal, os jornalistas não são obrigados a revelar as suas fontes de informação, não sendo o seu silêncio passível de qualquer sanção, directa ou indirecta.”



É exactamente por isso que muitos dos jornalistas chamados são aconselhados pelos advogados a não prestar declarações, ao abrigo do direito ao silêncio que todos os arguidos têm, recaindo assim o ónus da prova sobre o MP.



Independentemente dos contornos técnicos, a Imprensa portuguesa atravessa tempos difíceis. Megaprocessos como aquele que o MP está a desenvolver junto dos jornalistas “condicionam a investigação autónoma e intimidam quem exerce a actividade de informar” diz Alfredo Maia. E lembra que “o sigilo profissional não pode ser visto pelos jornalistas como um biombo de impunidade”, no entanto, “uma coisa é a Justiça responsabilizar os jornalistas pelos seus actos, outra, completamente diferente, é usar estes profissionais como instrumento auxiliar de investigação, na tentativa de chegar às suas fontes”. Neste último caso, o sindicalista é claro no caminho que os jornalistas devem seguir: “Resistir activamente às ofensivas. Vale a pena ir preso pelo Código Deontológico pois ele é uma alavanca de credibilidade do trabalho de quem está na profissão.”



O QUE PENSAM AS DIRECÇÕES DA SIC, 'EXPRESSO' E 'PÚBLICO'



"DEVER É INFORMAR" (Alcides Vieira, SIC)



“Se o Ministério Público achar que a lei foi violada, não vejo que haja alguma coisa de anormal na investigação aos jornalistas. Da mesma forma que os Media vigiam a Justiça no decorrer do caso, é natural que a Justiça também queira vigiar os Media. No entanto, o jornalista nunca deve revelar as fontes. Estaria a violar o Código Deontológico e, no caso da SIC, o próprio livro de estilo da estação, que considera as fontes sagradas. Quem viola o segredo de Justiça não é o jornalista, cujo dever é informar e dar o que é importante para o público, sendo que isso não significa que publique tudo.”



"NÃO CEDER UM MILÍMETRO" (José A. Saraiva, 'Expresso')



“Tem de existir segredo de Justiça pois, na origem, este existe para defender os direitos dos cidadãos e não só o processo. Inclusive defendo sanções para quem não o cumpre, os jornalistas devem ser responsabilizados pela violação do mesmo. No entanto, a formulação actual da lei leva a que não se consiga respeitar o segredo de Justiça. No que toca à quebra do sigilo profissional, sou absoluta e violentamente contra a revelação da fonte por parte do jornalista. Isso conduziria a um jornalismo oficioso, institucional e sem espaço para qualquer investigação. No campo de proteger as fontes de informação, não podemos ceder nem um milímetro.”



"BOA LUTA PARA TRAVAR" (Eduardo Dâmaso, ‘Público’)



“Esta investigação é o reflexo da ineficácia do Ministério Público [MP] em áreas sensíveis da investigação criminal, sobretudo quando há arguidos com alguma notoriedade, o que também acontece na criminalidade económica. Historicamente, quando o MP não consegue levar a bom porto as investigações escuda-se na violação do segredo de Justiça, para não consentir que se faça o debate sobre a sua própria capacidade de investigação. Revelar as fontes é completamente inaceitável e essa é uma excelente luta para travar. Já houve outras tentativas no passado e tudo não passa de um jogo político, onde os jornalistas são peões usados para tentar perceber quem violou mais o segredo de Justiça: se a PJ, se o MP.”


Miguel Martins




(In Correio da Manhã)

publicado por Lumife às 17:35

Novembro 04 2004
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No último dia 4 de Agosto, Yasser Arafat comemorou 75 anos. Não houve festa no seu quartel-general em Ramallah, onde está confinado por Israel desde Dezembro de 2001, até porque os motivos para celebrações não abundam: o seu estado de saúde há muito que é precário e, além disso, enfrenta uma forte contestação à sua liderança.



Apesar de afirmar ter nascido a 4 de Agosto de 1929 em Jerusalém, uma certidão de nascimento aponta antes para 24 do mesmo mês, no Cairo, Egipto. Um de sete irmãos, filho de um comerciante abastado, Arafat pertence, por parte de sua mãe, à família sunita Husseini, muito prestigiada em Jerusalém. A progenitora morreu quando Arafat tinha apenas cinco anos, acabando por ser enviado por um tio materno em Jerusalém. O actual líder palestiniano não gosta de falar em público sobre a sua infância, mas sabe-se que uma das suas memórias mais antigas envolve soldados britânicos a entrar de rompante na casa do tio, a meio da noite.



Quatro anos depois, o pai levá-lo-ia para o Cairo, onde, antes de completar 17 anos já contrabandeava armas para uso dos palestinianos contra os britânicos e os judeus.



Arafat estudou na Universidade do Cairo entre 1952 e 1956, formando-se em engenharia civil. Entretanto, tornou-se presidente da União de Estudantes Palestinianos. Recrutado pelo exército egípcio, serviu na campanha do Suez, em 1956. Pouco depois, mudar-se-ia para o Kuweit, onde trabalhou como engenheiro.



Foi no final dos anos 50 que Arafat co-fundou o movimento nacionalista palestiniano Fatah, que mais tarde se tornaria o braço militar da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), criada em 1964 e apoiada por Estados árabes como a Síria, o Líbano, o Egipto ou a Jordânia, com o objectivo de representar cerca de 4.5 milhões de palestinianos. Só depois da derrota árabe na guerra dos seis dias, que valeu a Israel o controlo da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, Arafat foi eleito presidente do comité executivo da OLP








Mais armas que ramos de oliveira



Em Novembro de 1974, com o apoio dos Estados árabes, Yasser Arafat tornou-se o primeiro líder de uma organização não-governamental a falar no plenário da Assembleia-Geral das Nações Unidas. «Trago um ramo de oliveira e a arma de um lutador pela liberdade», foi a frase que então proferiu e que ficou para a História.



Em defesa de um estado palestiniano independente, Arafat opôs-se, em 1978, aos acordos de Camp David, que concediam autonomia palestiniana na Cisjordânia e em Gaza. Mas o líder da OLP acreditava que a «autonomia» seria traduzida na continuação do controlo israelita.



Muitas tentativas de acordos depois, os esforços que conduziu para a paz valeram-lhe em 1994, o Prémio Nobel da Paz, que dividiu com Yitzhak Rabin e Shimon Peres, então, respectivamente, primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros israelitas.



Mais tarde, seria eleito presidente da Autoridade Palestiniana, encarregue de governar as áreas controladas pelos palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. As negociações para a criação de um estado palestiniano continuaram com Ehud Barak como primeiro-ministro israelita. As fronteiras do futuro estado, o estatuto dos refugiados e também de Jerusalém, cidade sagrada tanto para muçulmanos como para judeus, eram os pontos mais sensíveis.



Todos os esforços para a paz seriam frustrados em Setembro de 2000, com o início da chamada Intifada, que começou com a visita, sob forte escolta, do líder conservador israelita Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas. Os confrontos, que começaram com o arremesso de pedras por parte dos palestinianos, acabariam por se estender à Cisjordânia e a Gaza, fazendo mais de cem mortos em dez dias.



Agora, com os rumores sobre a eventual proximidade da sua morte e enfrentando uma oposição cada vez mais aguerrida, Arafat continua a dormir num pequeno quarto, com apenas uma janela de dimensões reduzidas, através da qual vê um monte de entulho e chapas de carros, espelhos de raides israelitas.




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(Clara Cardoso - Visãoonline)

publicado por Lumife às 18:26

Novembro 02 2004
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John Forbes Kerry, 60 anos, candidato democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2004, nasceu em 11 de Dezembro de 1943, em Denver, no Colorado. Kerry foi criado no seio de uma família católica e como filho de um diplomata, passou a maior parte da infância na Europa, tendo aprendido a falar francês e alemão fluentemente.





Depois de se formar em ciências políticas e direito em Yale em 1966, alistou-se na Marinha e serviu como oficial no delta do Rio Mekong, no Vietname, o que lhe valeu várias condecorações, uma delas por ferimentos de guerra. Kerry afirma que a Guerra do Vietname moldou sua personalidade e reafirmou seu compromisso político como combatente coberto por medalhas e pacifista do começo dos anos 70.



Foi à guerra como voluntário e voltou como porta-voz de veteranos. Em 1971, iniciou sua trajectória política com um emocionado depoimento no Senado contra a guerra.





No ano seguinte, concorreu ao Congresso como "candidato pela paz". Perdeu e só voltou em 1984, já como senador por Massachusetts. Depois de se graduar na Escola de Direito de Boston, Kerry trabalhou no escritório de procuradores do distrito de Massachusetts e também num escritório privado. Em 1995, Kerry casou-se com (a milionária de origem moçambicana) Teresa Heinz, viúva do senador republicano pela Pensilvânia, dono de um império de alimentação, John Heinz.





Com uma extensa experiência política, Kerry acumulou quatro mandatos como senador por Massachusetts, mas os seus críticos dizem que ele não é um grande orador e que não desperta paixões ideológicas. Kerry votou contra a Guerra do Golfo, em 1991, que era quase consensual. Votou, no entanto, a favor da Guerra do Iraque, que foi, no ano passado, bem mais controvertida.





No início dos anos 90, Kerry defendeu, com o fim da Guerra-fria, o desmantelamento parcial da CIA, mas, após o 11 de Setembro criticou a administração Bush pela sua baixa confiança nos sectores de espionagem e inteligência. No Senado, Kerry ganhou uma reputação de centro-esquerda.





Entre outras coisas, Kerry apoia o livre mercado, uma política militar externa expansiva, investimentos em educação e protecção do ambiente.





publicado por Lumife às 16:15

Novembro 02 2004
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Cresceu em Midland, no Texas, e tem quatro irmãos: Jeb - governador do Estado da Florida -, Neil, Marvin, e Dorothy. Outra irmã, Robin, morreu de leucemia em 1953, aos três anos de idade.





Tal como o seu pai, Bush marcou presença na prestigiada Philips Andover Academy, em Massachusetts, antes de se matricular na Universidade de Yale.





Formou-se em História em 1968, voltou ao Texas e entrou na Guarda Aérea Nacional do Texas, onde aprendeu a pilotar aviões de guerra. Chegou a ser tenente, mas, ao contrário de seu adversário na disputa presidencial, John Kerry, não foi chamado para servir na Guerra do Vietname.





Especula-se que Bush teria usado de artifícios para não ser convocado. Pesam sobre ele acusações de ter consumido drogas e bebido ao longo dos anos 70. Porém, quando questionado sobre essa fase, Bush responde apenas que foi um período "nómada" da sua vida. Sua mulher, Laura, teve grande influência em sua recuperação na "dependência da bebida". Em 1972, entrou na também prestigiada Harvard Business School, obtendo um MBA (Master in Business Administration) em 1975. Em 1977, Bush casou-se com Laura Welch, professora e bibliotecária.





Quatro anos depois, em 1981, o casal teve as gémeas Barbara e Jenna, que foram baptizadas com os nomes das avós. Logo após seu aniversário de 40 anos, em Julho de 1986, Bush revolucionou a sua vida pessoal e profissional. Terá abandonado a bebida e tornou-se mais religioso, convertendo-se para a fé metodista, a mesma da sua esposa

Esta mudança coincidiu com a decisão de seu pai concorrer para as eleições presidenciais de 1988. Bush então mudou-se, então, para Washington em 1987 para trabalhar na campanha. Após a vitória de seu pai no pleito, em Novembro de 1988, Bush retornou ao Texas, desta vez para Dallas, onde organizou um grupo de investidores e comprou o Texas Rangers, equipa de basebol. Apesar do seu sucesso como empresário, Bush surpreendeu todos com a sua eleição como governador do Texas em 1994.





Em 1998, Bush tornou-se o primeiro governador do Estado a ser reeleito, ganhando com uma impressionante margem (65% contra 35%), conseguindo muitos votos dos eleitores negros e hispânicos. O seu sucesso no Texas, especialmente com as minorias, levantou o interesse do Partido Republicano, que começou a ver Bush como uma alternativa para desafiar Al Gore, o então vice-presidente e candidato democrata nas eleições presidenciais de 2000.





Em Junho de 1999, Bush anunciou oficialmente sua intenção de concorrer para a Presidência dos EUA, usando o slogan "conservador com compaixão". Baseando a sua campanha em promessas de tornar o Partido Republicano mais inclusivo, enfatizou muito a educação.





Em Julho de 2000, Bush anunciou sua escolha para vice de Richard B. Cheney, o político considerado discreto e experiente que comandou o Pentágono na Guerra do Golfo (1991), durante o governo do pai de Bush. Bush e Cheney derrotaram os democratas (Al Gore e seu vice, Joseph Lieberman), numa das eleições mais disputadas e polémicas da História dos EUA.





O impasse ocorreu na Flórida - estado governado por Jeb Bush - cuja contagem de votos deu a vitória a George Bush. Em 20 de Janeiro de 2001, Bush torna-se o 43º presidente dos EUA.





Após os ataques de 11 de Setembro de 2001, um dos maiores da História americana, Bush declara guerra contra o terrorismo. Em 2002, após um lapso de quatro anos, a ONU (Organização das Nações Unidas) reinicia sua inspecção sobre armas químicas no Iraque, alertando para "sérias consequências" se Saddam Hussein falhasse em oferecer aos investigadores acesso irrestrito para as investigações.





Em Março de 2003, os EUA e o Reino Unido dão início à Guerra do Iraque sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU. Depois de quatro semanas, as forças da coligação cercam e conseguem tomar Bagdad. O Pentágono declara o fim da guerra e começa então um período de "ocupação".





Em Dezembro do mesmo ano, as forças americanas capturam o ex-ditador Saddam Hussein escondido em um buraco no chão de uma casa fora de Tikrit, sua cidade natal. Desde aí, a administração Bush envolveu-se em dois escândalos que poderiam prejudicar sua reputação: a falta de provas de que o Iraque realmente possuía armas de destruição em massa e os abusos de prisioneiros iraquianos cometidos por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá.





Fotos de militares dos EUA humilhando sexualmente e torturando iraquianos correram o mundo e causaram repulsa na comunidade internacional.





Idade: 58 anos



Estado civil: Casado com Laura Bush, professora e bibliotecária



Filhos: Duas filhas gémeas, Bárbara e Jenna Religião: metodista



Local de nascimento: New Haven, Connecticut. Passou a infância e a adolescência em Midland e Houston, no Estado do Texas



Formação: História pela Universidade de Yale, em 1968, e mestrado em Administração pela Universidade de Harvard, em 1975 Funções no sector privado: Entre 1975 e 1986, foi executivo e accionista de companhias do sector petrolífero. Depois de trabalhar na campanha presidencial do pai, em 1988, comprou o Texas Ranges, equipa de basebol. Foi director executivo da equipe até 1994. Funções no sector público: Eleito governador do Texas em 1994 e reeleito em 1998. Venceu as eleições presidenciais de 2000 e tenta a reeleição no próximo dia 2 de Novembro.



publicado por Lumife às 16:07

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publicado por Lumife às 15:38

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